“Qual o melhor exercício para quem tem diabetes?”. Essa é a pergunta de um milhão de reais. Por anos, a resposta automática era “caminhada” ou “exercício aeróbico”. No entanto, no DiabetesCast, o educador físico William Komatsu, que estuda o tema há mais de 20 anos, revolucionou esse conceito.
Conversando com o apresentador Tom Bueno (@umdiabetico), Komatsu explicou que o debate “aeróbico vs. resistido (musculação)” ficou no passado. O verdadeiro segredo para entender o impacto na glicemia é a intensidade do exercício.
Assim, segundo o especialista, focar apenas na modalidade pode levar a conclusões erradas sobre como seu corpo vai reagir.
A caminhada nem sempre é “leve”
O primeiro ponto que William Komatsu desmonta é a ideia de que todo aeróbico é leve e baixa a glicose da mesma forma. Assim, ele desafia a própria definição de caminhada como um exercício puramente aeróbico de baixa intensidade.
“Ah, mas a caminhada é aeróbia? Depende. Depende do que? Da intensidade”, afirma. Ele usa um exemplo prático e poderoso: “Agora você faz uma caminhada, você tá atrasado pra pegar o ônibus, alguma coisa, você faz aquela caminhada e fica ofegante. Isso é muito mais intenso do que um pezinho de um quilo. Concorda?”.
A musculação nem sempre é “pesada”
Da mesma forma, o rótulo de “treino resistido” ou “musculação” não garante que o exercício seja intenso. Tudo depende de como ele é executado. A intensidade do exercício é definida pela carga e pelo esforço percebido, não pelo nome da atividade.
“Se você pegar um pezinho de um quilo, ficar fazendo três séries de 30, levinho. Desde quando isso é um trabalho resistido, de intensidade alta? Não é”, critica Komatsu. Ele contrapõe: “Agora você faz uma caminhada… 4 séries de 8 com peso muito mais intenso é outra coisa. E os dois são musculação”.
Por que a intensidade do exercício muda tudo?
A grande virada de chave é entender que o corpo reage de formas diferentes. Komatsu explica que, antigamente, a regra era simples: “o aeróbio tende a ter uma queda mais brusca… e o exercício resistido… não tende a ter essa queda”.
Hoje, ele vai além, explicando que a intensidade do exercício e até a glicemia inicial ativam vias metabólicas distintas. Ele menciona que uma glicose mais alta pode ativar uma via (mTOR) que não necessariamente ativa o GLUT4 (transportador de glicose), fazendo com que a glicemia não caia. Já uma glicose mais controlada, combinada com o exercício, ativaria outra via (AMPK) que ajuda a captar a glicose.
Além disso, exercícios muito intensos podem aumentar a glicose temporariamente, provando que o comportamento glicêmico é muito mais complexo e fascinante do que se imaginava.
