Você costuma comer olhando o relógio ou o celular? Na correria do dia a dia, muitas pessoas comem apressadamente, sem sequer mastigar direito. Mas será que comer rápido aumenta a glicose? Essa é uma dúvida comum no manejo do diabetes. Para esclarecer essa questão, o jornalista Tom Bueno, em nosso canal “Um Diabético” no Youtube, conversou com a nutricionista e educadora em diabetes Tarcila Campos. A resposta, segundo a especialista, exige atenção, especialmente de quem usa insulina.
O descompasso entre a insulina e a comida
Para quem tem diabetes tipo 1 ou faz uso de insulina, a velocidade da refeição é um fator crítico. Conforme explica Tarcila Campos, a insulina aplicada (seja ela rápida ou ultrarrápida) precisa de um tempo para começar a agir no organismo. Se a pessoa come muito rápido, o carboidrato do alimento chega à corrente sanguínea antes que a insulina atinja seu pico de ação.
“Quanto mais rápido a gente come, às vezes eu não dou nem tempo dessa insulina começar a agir”, alerta a nutricionista. Esse “descompasso” entre a absorção da glicose e a ação da insulina pode resultar em picos de hiperglicemia após a refeição. Portanto, a velocidade impacta diretamente o controle glicêmico nesse cenário.
Comer rápido afeta a saciedade
Além da questão da insulina, comer apressadamente prejudica os sinais de saciedade. Tarcila Campos destaca que esse é um problema para todos, independentemente de terem ou não o diabetes. A digestão, afinal, começa na boca com a mastigação. Quando comemos rápido, não damos tempo para o cérebro processar a ingestão e enviar a mensagem de que o corpo está satisfeito.
Muita gente só percebe que exagerou muito tempo depois. “Sabe aquela coisa tipo, ‘acho que eu comi, acho que eu passei, comi muito’? É a hora que o seu sistema nervoso central ali entendeu que chegou a comida”, explica Tarcila. Esse sentimento de “estar cheio” que surge 30 minutos depois é um sinal de que a refeição foi rápida demais, levando a um consumo maior que o necessário.
Dicas para desacelerar e o papel dos líquidos
Para quem tem diabetes tipo 2 e usa medicação oral, Tarcila menciona que, embora a correlação com a insulina não seja a mesma, o risco está em comer no automático e exagerar na quantidade. A nutricionista oferece uma dica prática para começar a mudar esse hábito: “Tá aí um bom exercício, soltar o talher entre uma garfada e outra”. Esse pequeno ato força uma pausa e aumenta a percepção sobre a refeição.
Outro ponto de atenção é o consumo de líquidos durante a refeição. Muitas pessoas usam bebidas para “empurrar” a comida, o que prejudica ainda mais a digestão e a percepção de saciedade. Tarcila adverte que isso piora a velocidade da digestão e pode “amenizar essa percepção da saciedade”. O ideal é evitar líquidos, ou ao menos reduzir o volume e evitar bebidas com gás ou industrializadas.
Em resumo, comer rápido aumenta a glicose, seja pelo descompasso com a insulina ou por incentivar o exagero nas porções, que afeta a todos. Desacelerar na hora de comer não é apenas um detalhe, mas uma ferramenta importante para a saúde e para o bom controle do diabetes.