No 61º Encontro Anual da EASD (Associação Europeia para o Estudo do Diabetes), o tema do exercício físico no controle da condição ganhou grande destaque. Profissionais de saúde de todo o mundo se reuniram para discutir avanços e novas descobertas. A prática regular de exercícios físicos para quem tem diabetes, particularmente o tipo 2, é uma recomendação de longa data, mas a magnitude de seu benefício, especialmente na redução de eventos cardiovasculares e mortalidade, foi o foco de uma apresentação em particular que chamou a atenção dos especialistas presentes.
Um estudo conduzido por um grupo de pesquisadores na Dinamarca, destacado pelo especialista brasileiro Dr. Ruy Lyra, trouxe dados convincentes sobre a importância da atividade física. Eles analisaram pacientes com diagnóstico recente de diabetes tipo 2, especificamente aqueles com menos de dois anos de condição. Em seguida, os pesquisadores compararam diferentes níveis de atividade física, de um grupo sedentário a grupos com prática leve, moderada ou mais intensa. O objetivo era analisar a ocorrência de eventos cardiovasculares e a mortalidade ao longo de um ano. Assim, os resultados reforçaram a importância da atividade física como intervenção precoce.
Benefícios do exercício moderado
Os resultados mostraram que para obter benefícios substanciais, não é necessário fazer exercícios exaustivos. A pesquisa revelou que mesmo a atividade física moderada foi suficiente para reduzir o risco de eventos cardiovasculares em cerca de 25% a 28%. Além disso, essa mesma prática contribuiu para diminuir a mortalidade cardiovascular. Ou seja, a intensidade não é o fator mais crucial para se alcançar melhorias significativas na saúde. Ruy Lyra destacou que esses benefícios são especialmente importantes porque foram observados em pacientes com diagnóstico recente, que ainda não tiveram uma exposição prolongada a outros fatores de risco associados ao diabetes.
A conclusão do estudo reforça a mensagem de que, para quem acabou de receber o diagnóstico de diabetes tipo 2, a prática regular de exercícios traz um impacto significativo na redução de riscos e melhora dos desfechos clínicos. O especialista Ruy Lyra ressaltou a relevância desses achados:
“O resultado mostra que não precisa ser uma atividade física exuberante. Mesmo atividade física moderada… você pode ter uma redução de eventos cardiovasculares que vão de 25% a 28%… E a conclusão do estudo é que mesmo em pacientes recentemente diagnosticados… esses pacientes têm um efetivo benefício cardiovascular e redução de mortalidade.”
Impacto precoce na saúde
Com base no que foi discutido, fica claro que a atividade física deve ser uma das primeiras recomendações para quem vive com diabetes. A intervenção precoce pode ser a chave para prevenir complicações futuras. Poucas pessoas dão a devida importância ao benefício do exercício físico, mas os dados apresentados na EASD 2025 comprovam a sua eficácia. A apresentação mostrou que, mesmo que uma pessoa com diabetes já tenha um risco cardiovascular aumentado, o exercício pode mudar o desfecho da condição.
O principal recado do especialista Ruy Lyra é um estímulo à ação: “se você descobriu o diabetes recentemente ou conhece alguém que tem diabetes há pouco tempo, estimule essa pessoa a fazer atividade física, porque somente com isso a gente já consegue uma redução de risco cardiovascular e eventos.“
