A cúrcuma, um ingrediente que se tornou popular na cozinha brasileira, tem um papel surpreendente na saúde metabólica. Conhecida também como açafrão da terra, uma nova pesquisa aponta para um potencial benefício no controle de peso e, por consequência, na gestão da glicose para quem tem pré-diabetes ou diabetes tipo 2.
A inovação surge a partir de um estudo que revisou 20 ensaios clínicos randomizados.
A ciência por trás do açafrão da terra
Uma nova revisão analisou os efeitos da suplementação de curcumina em medidas corporais. Os pesquisadores, que publicaram o trabalho na revista Nutrition & Diabetes, incluíram 20 ensaios clínicos. Eles compararam o suplemento com um placebo em adultos com pré-diabetes ou diabetes tipo 2. As doses variavam de 80 mg a 2.100 mg por dia, com duração de oito a 36 semanas.
Os resultados mostraram que a suplementação para pessoas com diabetes tipo 2 trouxe melhorias no peso corporal, na circunferência da cintura, no percentual de gordura e no quadril, embora não tenha tido impacto no IMC. Já para quem tinha pré-diabetes, os suplementos reduziram peso e circunferência da cintura. O achado mais útil do estudo foi a relação dose-resposta: suplementação por mais de 22 semanas reduziu o peso corporal em 2,’5 kg, e doses acima de 1.500 mg/dia diminuíram a circunferência da cintura em 1,8 cm.
Como o açafrão da terra age no organismo
A ciência já sugere que a curcumina tem efeitos antioxidantes, antimicrobianos e anti-inflamatórios. O mecanismo exato de como a cúrcuma auxilia no controle de peso é, no entanto, um tanto enigmático.
Os pesquisadores acreditam que a ativação da enzima AMPK, que regula o metabolismo, e as propriedades anti-inflamatórias são os principais modos de ação. Afinal, eles estão diretamente ligados à melhora da sensibilidade à insulina e à redução da inflamação crônica, comum em casos de diabetes tipo 2 e pré-diabetes.
Açafrão da terra e diabetes: O veredito dos especialistas
O professor Thomas M. Holland, do RUSH Institute for Healthy Aging, saudou os resultados. “Do ponto de vista científico, essas mudanças podem parecer pequenas, mas em saúde populacional até melhorias discretas na obesidade central reduzem o risco metabólico e cardiovascular“, ele afirmou.
No entanto, os cientistas alertam sobre as limitações do estudo. A maioria dos voluntários fazia parte de um mesmo grupo (mulheres mais velhas), e os estudos foram feitos no mesmo país, o Irã. Isso limita a diversidade dos participantes. Além disso, eventos adversos como dor de estômago e náuseas foram relatados. Por isso, os pesquisadores sugerem que estudos de longa duração e com voluntários de diferentes perfis sejam realizados para aprofundar os resultados.
