O café, uma das bebidas mais populares do mundo, pode ter um papel surpreendente no controle da glicose para quem vive com diabetes tipo 2. Um novo estudo promissor sugere que compostos encontrados nos grãos de café podem atuar como um valioso aliado no controle da condição.
A descoberta, além disso, abre caminho para o desenvolvimento de novos ingredientes alimentares funcionais que, por conseguinte, poderiam auxiliar no tratamento da doença.
O que a ciência descobriu sobre o café
Pesquisadores chineses do Instituto de Botânica de Kunming realizaram um estudo importante. Nele, eles identificaram três componentes específicos nos grãos de café arábica torrados. Nomeados de caffaldeídos A, B e C, eles demonstraram ser potentes na inibição da alfa-glicosidase , uma enzima fundamental para a digestão de carboidratos. A análise mostrou que esses compostos têm um poder de inibição mais forte do que o acarbose, um medicamento usado no tratamento do diabetes tipo 2.
A pesquisa, por sua vez, também coletou dados de 149 publicações anteriores para analisar os efeitos do café nas forças metabólicas envolvidas no desenvolvimento do diabetes tipo 2. O estudo foi publicado no International Journal of Molecular Sciences.
Não é a cafeína: O segredo está em outros compostos
Uma das descobertas mais interessantes da pesquisa é que o benefício do café não está na cafeína. Tanto o café comum quanto o descafeinado demonstraram os mesmos efeitos promissores. Isso, portanto, sugere que outros compostos, como os polifenóis e os ácidos hidroxicinâmicos, são os responsáveis por essa ação.
Esses compostos presentes no café ajudam a modular os níveis de glicose, suprimir inflamações e aumentar a sensibilidade à insulina. Para se ter uma ideia, grandes estudos populacionais já associaram o consumo regular de café a um risco 20 a 30% menor de desenvolver diabetes tipo 2.
Café é aliado, não substituto do tratamento
Embora os resultados sejam animadores, é fundamental ter cautela. Conforme explica a nutricionista da UFRJ, Fernanda Mattos, Profa. Doutora em Bioquímica Nutricional, “é importante ressaltar que o café pode ser um aliado e não substituto da dieta, atividade física e medicamentos“. A especialista, da mesma forma, reforça que o consumo deve respeitar a individualidade e fazer parte de um estilo de vida saudável em quem convive com o diabetes.
Apesar de a maioria dos adultos saudáveis poder consumir até 400 mg de cafeína por dia, o equivalente a três ou quatro xícaras de café coado, a tolerância é individual e deve ser respeitada. Em suma, especialistas concordam que o consumo de café pode, sim, ser parte de um estilo de vida saudável para quem vive com diabetes.
