O diagnóstico do diabetes tipo 1 em crianças e adolescentes costuma chegar acompanhado de medo, culpa e insegurança. Nesse contexto, o SUS no Ceará passou a oferecer atendimento psicológico estruturado para pacientes e familiares, integrando saúde mental ao cuidado clínico da condição.
A iniciativa funciona no Centro Integrado de Diabetes e Hipertensão (CIDH), unidade da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), e reconhece que o diabetes tipo 1 não impacta apenas o corpo. Além disso, a condição exige reorganização emocional, familiar e social, especialmente nos primeiros meses após o diagnóstico.
Acolhimento psicológico desde o início do diagnóstico
Segundo a psicóloga Helena Gomes, que atua no CIDH, o diagnóstico do diabetes tipo 1 geralmente ocorre em momentos críticos, muitas vezes durante internações hospitalares. Nesse cenário, o acolhimento inicial é essencial para reduzir a angústia e esclarecer dúvidas.
“Os pais costumam se perguntar o porquê do diagnóstico e, muitas vezes, carregam um sentimento de culpa”, explica.
No entanto, o diabetes tipo 1 é uma doença autoimune, sem relação com comportamentos ou prevenção, o que precisa ser claramente compreendido pela família.
Portanto, o atendimento psicológico busca ajudar pais e cuidadores a elaborar o impacto emocional, enquanto assimilam as mudanças práticas exigidas pelo tratamento diário.
Mudanças na rotina e impacto na dinâmica familiar
O cuidado com o diabetes tipo 1 exige controle alimentar, monitorização frequente da glicemia e aplicações diárias de insulina. Diante disso, toda a dinâmica familiar é afetada.
Helena Gomes compara a condição a uma presença constante na vida do paciente.
“É algo que vai acompanhar a pessoa para sempre. Se for bem cuidada, traz tranquilidade. Se for negligenciada, gera problemas”, resume.
Ainda assim, ela reforça que o diabetes não define quem a pessoa é.
Apoio do SUS fortalece famílias no interior do estado
O impacto positivo do atendimento psicológico também é percebido por famílias do interior do Ceará. Davi Pinheiro, de 12 anos, morador de Senador Pompeu, foi diagnosticado após uma internação em Fortaleza. Após o susto inicial, a família passou a ser acompanhada pelo CIDH.
Para a mãe, Maria das Dores Bonifácio, o apoio psicológico foi determinante.
“A gente sai mais confiante. A profissional orienta, conversa e ajuda a entender como seguir”, relata.
Enquanto isso, o pai, Jucileudo Pinheiro, destaca que manter o equilíbrio emocional é parte do tratamento.
Autonomia e equilíbrio emocional no cuidado com o diabetes
A diretora-geral do CIDH, Cristina Façanha, endocrinologista, ressalta que o cuidado vai além da alimentação e da insulina. Inclui sono adequado, prevenção da hipoglicemia, atenção aos pés e educação contínua.
Por outro lado, ela alerta para a importância de estimular a autonomia da criança ou adolescente.
“Os pais tendem a superproteger, mas é fundamental educar para o autocuidado, sem fragilizar a pessoa”, afirma.
Assim, o acompanhamento psicológico ajuda a construir uma relação mais saudável com a condição.
Cuidado compartilhado também protege a saúde mental dos cuidadores
Outro ponto central do atendimento psicológico no SUS no Ceará é evitar a sobrecarga de um único cuidador. Segundo Helena Gomes, dividir responsabilidades reduz o estresse e o risco de adoecimento emocional.
Além disso, práticas simples de autocuidado, como atividade física, lazer e convivência social, são fundamentais.
“Cuidar da saúde mental também é sentar na calçada, conversar e se permitir pausas”, orienta.
A iniciativa dialoga com campanhas como o Janeiro Branco, que reforça a importância de recomeços e do cuidado emocional ao longo do ano.
Serviço disponível pelo SUS no Ceará
O ambulatório de Psicologia do CIDH atende crianças, adolescentes com diabetes tipo 1 e seus familiares, mediante agendamento ou encaminhamento da equipe multidisciplinar. O serviço funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 11h, fortalecendo uma abordagem integral do cuidado.
