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    O que a glicose alta pode fazer com os rins de quem tem diabetes?

    Especialistas alertam que a glicose alta pode danificar os rins silenciosamente; exames simples ajudam a detectar o problema cedo
    Tom Bueno13 de março de 2026Nenhum comentário4 Mins Read
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    Medidor de glicose ao lado de modelo anatômico de rim representando os impactos da glicose alta nos rins em pessoas com diabetes
    Glicose alta por muito tempo pode danificar os rins e levar à doença renal em pessoas com diabetes.
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    Quem convive com diabetes costuma ouvir que controlar a glicose evita complicações. No entanto, uma consequência silenciosa ainda passa despercebida: o impacto da glicose alta nos rins.

    Os rins funcionam como filtros naturais do organismo. Eles removem toxinas do sangue, regulam líquidos e participam de processos importantes do metabolismo. No entanto, quando a glicose permanece elevada por muito tempo, esse sistema de filtragem começa a sofrer danos.

    Nesse contexto, especialistas alertam que a glicose alta nos rins pode provocar alterações progressivas. Com o tempo, essas mudanças podem comprometer o funcionamento do órgão.

    A nefrologista Bianca Bastos, que acompanha pessoas com doença renal crônica, explica que o diabetes está diretamente relacionado a esse processo.

    “O diabetes afeta o rim diretamente por causa da hiperglicemia e de outros fatores associados. Hoje, a maior causa de diálise no mundo é o diabetes”, afirma.

    Além disso, a especialista destaca que muitos casos poderiam ser evitados com diagnóstico precoce e acompanhamento adequado.

    Como a glicose alta começa a afetar os rins

    Dentro dos rins existem milhões de estruturas microscópicas chamadas glomérulos. Esses pequenos filtros removem substâncias tóxicas do sangue.

    Quando a glicose permanece elevada por muito tempo, esses filtros passam a trabalhar sob pressão maior. Como resultado, os vasos sanguíneos começam a sofrer alterações.

    Com o passar dos anos, essa sobrecarga pode comprometer a filtragem do sangue. Nesse cenário, o rim perde parte da capacidade de eliminar resíduos do organismo.

    Segundo a nefrologista Bianca Bastos, um dos primeiros sinais desse processo é a perda de proteína pela urina.

    “A pessoa com diabetes tem propensão a perder albumina na urina por um mecanismo de hiperfiltração dentro do rim”, explica.

    Esse fenômeno recebe o nome de albuminúria. Além disso, ele pode indicar que os rins já estão sendo afetados pela glicose alta.

    Dois exames simples ajudam a detectar o problema cedo

    A prevenção da doença renal associada ao diabetes depende, principalmente, do diagnóstico precoce.

    Por isso, especialistas recomendam dois exames simples:

    • creatinina no sangue
    • albumina na urina

    Esses exames ajudam a avaliar o funcionamento dos rins. Além disso, eles permitem identificar alterações ainda nas fases iniciais.

    Segundo Bianca Bastos, esses testes são simples e acessíveis.

    “Uma dosagem de creatinina custa cerca de 16 a 20 reais em laboratório particular e a dosagem de albuminúria não passa de 50 reais”, afirma.

    Apesar disso, muitos pacientes chegam ao consultório com alterações avançadas sem nunca terem feito essa investigação.

    “Recebo frequentemente pessoas com insuficiência renal que nunca fizeram nem um exame simples de urina”, relata a médica.

    A doença renal pode evoluir sem sintomas

    Um dos desafios da doença renal associada ao diabetes é a ausência de sintomas no início. Enquanto isso, alterações importantes podem ocorrer no funcionamento dos rins.

    A nefrologista Bianca Bastos explica que o problema costuma aparecer apenas em fases mais avançadas.

    “A doença renal do diabetes é assintomática até fases mais tardias”, afirma.

    Por outro lado, exames periódicos ajudam a identificar alterações precocemente.

    Além disso, a presença de albumina na urina também pode indicar risco cardiovascular maior.

    “Quando o paciente perde albumina na urina, ele pode ter mais risco de infarto ou AVC do que de precisar de diálise”, alerta a especialista.

    Controle da glicose não é o único fator importante

    Embora o controle glicêmico seja essencial, outros fatores também influenciam a saúde dos rins.

    A endocrinologista Denise Franco explica que o tratamento do diabetes precisa considerar o organismo como um todo.

    “Não podemos pensar apenas na glicemia. Também precisamos controlar pressão arterial, colesterol e outros fatores de risco”, afirma.

    Portanto, o cuidado com diabetes envolve diferentes aspectos da saúde. Além disso, hábitos de vida saudáveis também ajudam a reduzir o risco de complicações.

    Alimentação também influencia na saúde dos rins

    A alimentação exerce papel importante no controle do diabetes e na prevenção da doença renal. Segundo a nutricionista Carol Neto, o desafio aumenta quando a pessoa já apresenta alterações na função renal.

    “Quando a pessoa com diabetes desenvolve doença renal, precisamos controlar também a quantidade de proteína na alimentação”, explica.

    No entanto, a restrição alimentar precisa ser feita com cuidado. Se a restrição de proteína for exagerada, o paciente pode desenvolver desnutrição.

    Por outro lado, o excesso de proteína também pode acelerar a progressão da doença renal. Por isso, o acompanhamento profissional se torna essencial nesse processo.

    Informação e acompanhamento fazem diferença

    Para especialistas, a informação ainda é uma das principais ferramentas no cuidado com o diabetes. A endocrinologista Denise Franco reforça que o paciente precisa participar ativamente do tratamento.

    “Quem convive com diabetes precisa buscar informação e participar do próprio tratamento”, afirma.

    Nesse contexto, exames simples, acompanhamento médico e educação em diabetes ajudam a reduzir o risco de complicações.

    Portanto, manter a glicose sob controle não protege apenas o diabetes. Também ajuda a preservar órgãos fundamentais, como os rins.

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    Tom Bueno

    Fundador & CEO | Jornalista e Criador de Conteúdo - Tom é jornalista experiente, com mais de 17 anos de carreira em televisão, tendo atuado como repórter e apresentador nas principais emissoras do país. Diagnosticado com diabetes tipo 1 aos 22 anos, transformou sua trajetória pessoal em uma missão profissional. Além de liderar o Um Diabético, também realiza documentários e curtas com foco em saúde e impacto social. É reconhecido como um dos principais porta-vozes do diabetes no Brasil, dando voz e visibilidade a milhares de pessoas que convivem com a condição.

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