Dois irmãos diagnosticados com diabetes tipo 1 ainda na infância vivem no Arizona, nos Estados Unidos, e compartilham uma rotina que exige monitoramento constante da glicose, uso diário de insulina e decisões rápidas ao longo do dia. A história de Jaxxen, de 13 anos, e Chance, de 11, ajuda a compreender como a condição interfere no cotidiano familiar, especialmente em contextos como escola, prática esportiva e vida social.
Os meninos são filhos de Jess e Tamara e moram em Tucson com o irmão mais novo, Sawyer, de 8 anos, que realizou testes de anticorpos e, até o momento, não apresenta sinais da doença.
O primeiro diagnóstico e a internação em estado grave
Chance foi diagnosticado com diabetes tipo 1 em setembro de 2020. Nas semanas anteriores, apresentou sintomas clássicos, como sede intensa, aumento da frequência urinária, cansaço e fraqueza. Ao chegar ao hospital infantil, sua glicemia ultrapassava 1.100 mg/dL, e ele já estava em cetoacidose diabética, uma complicação grave que pode levar à morte se não tratada rapidamente.
O diagnóstico ocorreu durante a pandemia de COVID-19. Por causa das restrições sanitárias, apenas um dos pais pôde permanecer com a criança durante a internação. Chance ficou hospitalizado por vários dias até a estabilização do quadro e o início do tratamento com insulina.
Nesse período, a família precisou aprender, de forma acelerada, como funcionaria o controle do diabetes tipo 1 no dia a dia.
O segundo diagnóstico em menos de um ano
Cerca de oito meses depois, em maio de 2021, a família voltou a enfrentar o impacto do diagnóstico. Jaxxen começou a relatar dor abdominal e mal-estar. Ao medir a glicemia capilar em casa, o valor registrado foi de 490 mg/dL.
Com orientação do endocrinologista, os pais iniciaram o controle imediato com insulina e monitoramento rigoroso em casa. Dois dias depois, exames laboratoriais confirmaram que Jaxxen também tinha diabetes tipo 1.
A partir desse momento, a família passou a conviver com dois filhos com a mesma condição crônica, o que exigiu reorganização da rotina, atenção constante e acompanhamento médico contínuo.
Como funciona o tratamento do diabetes tipo 1 nos Estados Unidos
Nos Estados Unidos, o tratamento do diabetes é predominantemente privado e depende da cobertura dos planos de saúde. O acesso a tecnologias varia de acordo com o tipo de seguro contratado.
Jaxxen e Chance utilizam sensores de glicose e sistemas de administração de insulina sem fio, como o Omnipod. Esses dispositivos permitem ajustes mais rápidos no tratamento e facilitam a prática de esportes e outras atividades físicas.
Ainda assim, os pais destacam que os equipamentos têm limitações. Falhas técnicas podem ocorrer, especialmente em situações de calor intenso ou esforço físico prolongado. Por isso, o acompanhamento dos sintomas e a tomada de decisão manual continuam sendo fundamentais.
Escola, esportes e a gestão diária do diabetes
A rotina dos irmãos inclui escola, atividades esportivas e convivência social, como a de outras crianças da mesma idade. No entanto, o controle da glicemia, a aplicação de insulina e o planejamento alimentar fazem parte de todas as atividades.
Os esportes representam um desafio adicional. A atividade física pode provocar tanto quedas quanto elevações da glicose, exigindo ajustes frequentes. Com o tempo, ambos aprenderam a identificar sinais precoces de alteração glicêmica e a interromper atividades quando necessário.
Esse processo também contribuiu para um amadurecimento precoce. Jaxxen foi eleito presidente do grêmio estudantil em sua escola. Chance foi vice-presidente e, posteriormente, eleito presidente, repetindo o percurso do irmão.
O episódio que deu visibilidade à rotina invisível
Em meio a essa trajetória, um episódio específico ganhou repercussão nas redes sociais. Um vídeo publicado no perfil @highsandlowsbros, gravado durante um teste para um time de lacrosse, ultrapassou um milhão de visualizações.
Nas imagens, aparece apenas um dos irmãos interrompendo a atividade ao perceber sinais de hipoglicemia. No momento, os dispositivos de monitoramento haviam superaquecido e deixado de funcionar temporariamente. Após ingerir um alimento de ação rápida e estabilizar a glicemia, o adolescente conseguiu concluir o teste.
Segundo a família, o vídeo não retrata uma situação excepcional, mas decisões que fazem parte da rotina de quem vive com diabetes tipo 1.
O que a história dos irmãos revela sobre viver com diabetes tipo 1
O caso de Jaxxen e Chance ilustra desafios enfrentados diariamente por crianças e adolescentes com diabetes tipo 1. A condição exige atenção contínua, planejamento e comunicação constante com familiares, professores e treinadores.
Para Jess, o diabetes tipo 1 é uma doença séria, mas controlável. Ele destaca que viver com a condição desenvolve habilidades como organização, adaptação e tomada de decisão precoce — competências que acompanham os filhos para além do tratamento médico.
