Uma das novidades apresentadas na ATTD 2026 envolve o desenvolvimento de uma insulina semanal que pode reduzir o número de aplicações ao longo do ano. A endocrinologista Denise Franco acompanha o congresso e trouxe a análise dos dados apresentados sobre a molécula chamada Efsitora, desenvolvida pela Eli Lilly.
O ponto central da discussão envolve a diferença entre aplicar insulina diariamente ou uma vez por semana. Na prática, isso significa passar de 365 aplicações por ano para cerca de 52. Nesse contexto, pesquisadores investigam se a mudança pode impactar a rotina de quem depende de insulina para controlar a glicose.
Estrutura da insulina semanal prolonga tempo de ação
Os dados apresentados no congresso mostram que a Efsitora possui uma estrutura molecular diferente das insulinas basais utilizadas atualmente. A molécula contém um fragmento ligado à imunoglobulina humana.
Essa ligação ocorre por meio de um fragmento de anticorpo IgG humano. Portanto, essa característica altera a interação da molécula com receptores do organismo.
Além disso, a insulina possui tamanho molecular maior. Como consequência, a substância permanece por mais tempo na circulação. Esse mecanismo contribui para uma ação prolongada do medicamento.
Enquanto isso, a afinidade da molécula com o receptor da insulina apresenta redução. Essa característica também contribui para prolongar o tempo de ação no organismo.
Segundo a endocrinologista Denise Franco, a molécula passa por um processo de reciclagem celular. Nesse processo, a proteína é internalizada pela célula e se liga ao receptor Fc.
Depois disso, o receptor transporta o fragmento novamente para a circulação. Portanto, a degradação ocorre de forma mais lenta.
Além disso, o mecanismo reduz a degradação lisossomal da insulina. Como resultado, a molécula permanece ativa por mais tempo no organismo.
Meia-vida de cerca de 17 dias permite aplicação semanal
Outro fator observado nos dados apresentados envolve o tempo de permanência da insulina no organismo. A molécula apresenta meia-vida aproximada de 17 dias.
Nesse período, os estudos indicam estabilidade na concentração da insulina. Ou seja, os níveis permanecem semelhantes ao longo dos dias.
Enquanto isso, os dados mostram pouca variação diária da concentração da insulina. Portanto, o perfil glicêmico tende a permanecer estável durante o período de ação.
Esse comportamento permite que a insulina seja aplicada uma vez por semana. Nesse contexto, a redução do número de aplicações surge como uma possível mudança na rotina de tratamento.
Pessoas que utilizam insulina basal realizam aplicações frequentes ao longo do ano. Portanto, pesquisadores analisam se a redução de injeções pode facilitar a adesão ao tratamento.
Estudos clínicos comparam eficácia com outras insulinas basais
Os dados apresentados no congresso incluem resultados do programa de estudos clínicos QWINT. Os ensaios compararam a Efsitora com insulinas basais já utilizadas no tratamento.
Entre os comparadores analisados estão a Insulina glargina e a Insulina degludeca.
Segundo a análise apresentada, a insulina semanal mostrou eficácia semelhante às opções utilizadas atualmente. Além disso, os dados indicam taxas comparáveis de episódios de hipoglicemia.
Esse ponto chama atenção porque uma das preocupações envolve o risco de hipoglicemia em insulinas de ação prolongada. No entanto, os dados analisados não apontaram aumento desses episódios.
O programa QWINT possui diferentes estudos. Os estudos QWINT-1 a QWINT-4 avaliaram pessoas com diabetes tipo 2.
Enquanto isso, o QWINT-5 incluiu pessoas com diabetes tipo 1.
Segundo Denise Franco, a análise apresentada na ATTD avaliou novamente os dados desses estudos. O objetivo foi observar o perfil de eficácia e segurança da insulina semanal.
Impactos da insulina semanal na rotina de quem usa insulina
A possibilidade de reduzir o número de aplicações representa um ponto de interesse para quem convive com diabetes. Pessoas que utilizam insulina realizam aplicações frequentes como parte do tratamento.
Nesse contexto, uma insulina semanal pode alterar a forma como o tratamento acontece na rotina diária.
Por outro lado, especialistas ainda acompanham o desenvolvimento clínico dessas terapias. A análise dos estudos ajuda a entender eficácia, segurança e possíveis limitações.
Além disso, a disponibilidade do medicamento depende de processos regulatórios e da chegada ao mercado. Atualmente, outra insulina semanal já recebeu aprovação para comercialização no Brasil e aguarda disponibilidade.
Enquanto isso, pesquisas continuam a avaliar novas moléculas e tecnologias voltadas ao tratamento do diabetes.
