A notícia da aprovação da insulina semanal Awiqli (icodeca) acendeu uma luz de esperança para milhares de pessoas que convivem com o diabetes no Brasil. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) concedeu o registro em março de 2025, atestando a segurança e eficácia do medicamento. Agora, em outubro, sete meses após o aval regulatório, o tratamento inovador, que promete simplificar a rotina com apenas uma aplicação por semana, continua indisponível. A comunidade clama: Quando chega a insulina semanal ao Brasil?
Apesar da liberação da Anvisa, que permitiu a comercialização do produto da Novo Nordisk, o medicamento ainda não chegou às farmácias brasileiras. A expectativa é enorme, visto que a Awiqli substituiria as 365 aplicações anuais por meras 52, uma mudança que representa um salto em conforto e adesão ao tratamento.
A ciência por trás da aplicação semanal
O diferencial do medicamento está na sua capacidade de prolongar a ação da insulina no organismo por uma semana inteira. Isso se deve a uma modificação molecular que permite uma forte ligação com a albumina, uma proteína presente no sangue.
O mecanismo funciona com a própria molécula de insulina, que tem alterações na sua estrutura. Essa modificação faz com que ela seja liberada aos poucos para agir no receptor de insulina. Por isso, pode-se aplicar só uma vez por semana.
Essa ação ultralonga e estável por sete dias representa um avanço significativo. O melhor perfil de ação que tínhamos antes eram as insulinas ultralongas, que ainda exigiam aplicações diárias. Agora, ter uma insulina com ação estável durante sete dias traz um conforto enorme para quem tem a condição.
Conforto e indicação do novo tratamento
A redução na frequência de injeções é o benefício mais imediato e palpável. Lidar com o diabetes exige uma disciplina rigorosa, e a diminuição das aplicações é um alívio.
Apesar das agulhas hoje em dia serem muito pequenas, os pacientes ainda se incomodam, principalmente aqueles que usam também as insulinas nas refeições. A mudança de 365 para 52 aplicações anuais é, portanto, um fator chave para melhorar a qualidade de vida.
A medicação é indicada tanto para quem tem diabetes tipo 1 quanto para quem tem diabetes tipo 2. Contudo, é importante saber que, para pessoas com diabetes tipo 1, a Awiqli deve ser usada em combinação com a insulina rápida ou ultrarrápida (tomada nas refeições) e, geralmente, os médicos não a usam no início do tratamento. Para o tipo 2, pode-se usá-la como primeiro passo na insulinoterapia ou para substituir uma insulina basal anterior.
Os alertas sobre hipoglicemia
Apesar dos benefícios, o uso da insulina semanal exige cautela, especialmente em relação ao risco de hipoglicemia (queda nos níveis de glicose no sangue).
O desafio da dose que dura por mais tempo é o principal ponto de atenção, pois, como é uma insulina de uso semanal, quando o paciente começa a ter hipoglicemia, ele somente poderá reajustar a dose na semana seguinte, o que pode ser um problema. Os estudos clínicos indicaram um aumento significativo de episódios de hipoglicemia em pessoas com diabetes tipo 1.
Além disso, a insulina semanal não é indicada para menores de 18 anos, gestantes, lactantes e pessoas com insuficiência renal crônica avançada, pois os médicos não realizaram estudos conclusivos nestes grupos.
O impasse: Sete meses de espera
O registro da Awiqli na Anvisa, em março de 2025, deveria ser o último grande obstáculo para sua chegada. No entanto, a realidade é que a comunidade enfrenta sete meses de espera e frustração.
Nossa reportagem consultou a farmacêutica Novo Nordisk, fabricante da insulina semanal, e a informação permanece a mesma de meses atrás: não há previsão de chegada ao Brasil. Assim, a inovação, que já recebeu o aval regulatório há mais de meio ano, permanece fora do alcance dos brasileiros. A grande questão é: por quanto tempo mais a comunidade terá que esperar até que, de fato, possa ter acesso ao medicamento que promete facilitar a vida de milhões de pessoas que convivem com a condição em nosso país?