A glicose alta pode provocar alterações em diferentes partes do organismo. No entanto, muitas pessoas não associam o diabetes às complicações que surgem na boca.
Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), níveis elevados de glicose favorecem inflamações, infecções e perda dentária. Nesse contexto, especialistas apontam que o cuidado odontológico deve integrar o tratamento desde o diagnóstico.
Além disso, problemas bucais podem interferir no controle glicêmico. Portanto, a saúde bucal passa a ter papel direto na rotina de quem convive com diabetes.
1. Gengivite
A gengivite consiste em inflamação da gengiva. A condição aparece com frequência em crianças, adolescentes e adultos com diabetes. No entanto, quando recebe tratamento, o quadro pode ser revertido. A higiene bucal e o acompanhamento odontológico contribuem para controlar o problema.
2. Periodontite
A periodontite representa uma condição inflamatória crônica que afeta os tecidos que sustentam os dentes. Pessoas fora da meta glicêmica apresentam maior gravidade e progressão da doença. Na ausência de tratamento, pode ocorrer perda dentária.
Além disso, a periodontite favorece a circulação de bactérias e inflamação no organismo. Como resultado, os níveis de glicose podem aumentar. Estudos citados pela SBD apontam redução da hemoglobina glicada em pessoas com diabetes tipo 2 após tratamento da periodontite.
3. Cárie dentária
A doença cárie provoca perda da estrutura do dente. Em pessoas com diabetes, a condição pode surgir com maior facilidade. Quando não recebe tratamento, pode evoluir para infecções do canal radicular, o que exige tratamento de canal.
4. Perda de dentes
Pessoas com diabetes fora da meta glicêmica apresentam maior risco de perda dentária. A ausência de dentes pode afetar a mastigação e alterar a alimentação. Nesse cenário, alimentos macios passam a fazer parte da rotina. Por outro lado, esses alimentos podem conter mais gordura ou açúcar, o que interfere no controle da glicemia.
5. Más-oclusões
Más-oclusões correspondem ao desalinhamento dos dentes. Essa alteração pode prejudicar mastigação, dicção e deglutição. Crianças com diabetes também podem apresentar erupção dentária acelerada. Além disso, o uso de aparelho exige higiene bucal rigorosa para evitar gengivite e aumento do volume gengival.
6. Doenças ao redor de implantes dentários
Mucosite e peri-implantite afetam os tecidos ao redor de implantes dentários. Pessoas com diabetes fora da meta glicêmica podem apresentar inflamação nesses tecidos. Com o tempo, pode ocorrer perda do osso que sustenta o implante.
7. Complicações em cirurgias odontológicas
Pessoas com diabetes podem realizar cirurgias odontológicas, incluindo implantes. No entanto, quando a glicemia permanece elevada, a reparação dos tecidos pode ocorrer de forma mais lenta. Além disso, aumenta o risco de infecções após o procedimento.
8. Boca seca
A hipossalivação consiste na redução do fluxo de saliva. Essa condição pode ocorrer com maior frequência em pessoas com diabetes. A boca seca pode alterar o paladar e favorecer o surgimento de outras doenças bucais.
9. Mau hálito e infecções por fungos
O mau hálito, conhecido como halitose, costuma ter origem na boca. No entanto, em pessoas com diabetes, a presença de corpos cetônicos pode alterar o odor do hálito. Esse cheiro pode lembrar frutas envelhecidas e indicar níveis elevados de glicose.
Além disso, pessoas com diabetes podem apresentar candidíase bucal com mais frequência, principalmente quando estão fora da meta glicêmica.
Exame odontológico deve integrar o tratamento do diabetes
A Sociedade Brasileira de Diabetes recomenda que toda pessoa com diagnóstico de diabetes realize exame odontológico e periodontal completo.
Esse encaminhamento deve ocorrer no início do tratamento. Além disso, o acompanhamento odontológico deve continuar de forma periódica.
Segundo a entidade, o monitoramento da saúde bucal integra o cuidado com o diabetes e contribui para o controle glicêmico.