Neste 8 de março, o Portal Um Diabético traz uma reportagem especial sobre saúde feminina e diabetes. Segundo o Vigitel 2025, levantamento do Ministério da Saúde, 11,1% das mulheres brasileiras convivem com a doença, contra 9,1% dos homens. Nesse sentido, compreender os fatores que tornam as mulheres desproporcionalmente afetadas, bem como o que muda com a chegada da menopausa, é fundamental para cuidar melhor da saúde.
Os números que mostram a desigualdade de gênero no diabetes
O Brasil já soma cerca de 20 milhões de pessoas com diabetes. Além disso, os dados do Vigitel 2025 revelam uma tendência consistente: as mulheres apresentam taxas de prevalência superiores às dos homens em praticamente todos os recortes analisados.
| Indicador | Mulheres | Homens |
| Prevalência de diabetes (2023) | 11,1% | 9,1% |
| Prevalência de diabetes (2006) | 6,3% | 4,6% |
Segundo a médica Bianca de Almeida Pititto, coordenadora de Epidemiologia do Departamento de Saúde Pública, Epidemiologia, Economia da Saúde e Advocacy da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), o crescimento em ambos os sexos é expressivo.
No entanto, as mulheres partem de uma base maior e seguem na liderança. A especialista reforça, ainda, que a prevalência de diabetes aumenta com a idade e diminui com o nível de escolaridade, o que, portanto, aponta para determinantes sociais que ultrapassam a biologia.
Ainda segundo os dados do Vigitel 2025, a prevalência de diabetes em mulheres passou de 6,3% para 10,5% apenas entre 2018 e 2023, ou seja, uma trajetória de alta mantida de forma consistente. Ao mesmo tempo, no mesmo período, a obesidade feminina saltou de 12,1% para 26,7% e o excesso de peso passou de 38,5% para 60,6%.
Obesidade, resistência à insulina e diabetes tipo 2: um ciclo que pesa mais sobre as mulheres
O diabetes tipo 2 ocorre quando o organismo não consegue usar adequadamente a insulina que produz, um mecanismo chamado resistência à insulina. De modo geral, os principais fatores de risco são conhecidos: obesidade, dieta não saudável e sedentarismo. Além disso, os dados brasileiros mostram que esses fatores pesam de forma especialmente intensa sobre as mulheres.
A obesidade feminina mais que dobrou em 18 anos: saiu de 12,1% em 2006 e chegou a 26,7% em 2024. Da mesma forma, o excesso de peso subiu de 38,5% para 60,6% no mesmo período. Além disso, as mulheres relataram maior prevalência de sintomas de insônia (31,7%), condição associada ao descontrole glicêmico e ao ganho de peso.
Diante desse cenário, a Sociedade Brasileira de Diabetes considera a prevenção da obesidade como prioridade de saúde pública, e não apenas uma questão estética. Por isso, a SBD defende políticas públicas que incentivem alimentação saudável, atividade física e rastreamento precoce do diabetes, especialmente entre mulheres com fatores de risco..
O que muda com a menopausa para quem tem diabetes
A chegada da menopausa representa uma transição metabólica importante para todas as mulheres. No entanto, para quem convive com diabetes tipo 1 ou tipo 2, os impactos são ainda mais significativos e, por isso, exigem atenção redobrada.
Metabolismo mais lento, risco maior de descontrole
Com a parada da produção dos hormônios femininos, há uma tendência natural de redução do metabolismo basal. O organismo passa a queimar menos calorias, o que favorece o ganho de peso e, consequentemente, aumenta a resistência à insulina. Para quem já convive com diabetes, esse cenário pode dificultar o controle glicêmico.
Hormônios femininos e estabilidade da glicose
O estrógeno e a progesterona desempenham papel ativo no controle da insulina e na estabilidade glicêmica. Com a menopausa e a queda na produção desses hormônios, os níveis de açúcar no sangue tendem a se tornar mais instáveis, tornando necessário, em muitos casos, o ajuste nas doses de medicamentos.
Sintomas que se confundem
Um ponto de atenção importante: alguns sintomas da menopausa podem ser confundidos com sinais do diabetes descontrolado. O calorão típico da menopausa pode, em alguns casos, ser confundido com hipoglicemia. O cansaço e a falta de ânimo comuns nessa fase podem ser interpretados como sinais de glicemia elevada. A orientação é monitorar a glicemia com mais frequência e manter acompanhamento médico assíduo nesse período.
O que fazer na menopausa com diabetes
- Medir a glicemia com mais frequência durante a transição menopáusica
- Realizar exames laboratoriais de rotina com acompanhamento médico mais próximo
- Manter dieta controlada e atividade física regular
- Fazer acompanhamento ginecológico e considerar o tratamento adequado da menopausa
- Conversar com o endocrinologista sobre possíveis ajustes de dose
O que dizem as diretrizes da SBD (2025/2026)
As diretrizes atualizadas da Sociedade Brasileira de Diabetes para 2025/2026 trazem recomendações relevantes para a prevenção e o manejo do diabetes, com atenção especial aos grupos mais vulneráveis, incluindo as mulheres.
Principais recomendações das diretrizes SBD 2025/2026
- Rastreamento do diabetes tipo 2 a partir dos 35 anos para pessoas assintomáticas;
- Rastreamento também recomendado para crianças e adolescentes com obesidade;
- Perda de pelo menos 7% do peso corporal como meta central;
- Pelo menos 150 minutos semanais de exercício físico moderado;
- Diagnóstico por glicemia de jejum ou HbA1c (hemoglobina glicada);
- A orientação é pelo equilíbrio e pela qualidade alimentar — não há uma dieta única considerada superior.
Checklist para mulheres que convivem com diabetes
- Se você tem mais de 35 anos e ainda não fez rastreamento de diabetes, procure seu médico;
- Se está na perimenopausa ou menopausa, monitore a glicemia com mais frequência;
- Não atribua sintomas apenas à menopausa sem avaliação médica. Podem ser sinais de descontrole glicêmico;
- Converse com seu endocrinologista sobre ajustes no plano terapêutico durante a transição hormonal;
- Movimentar-se regularmente faz diferença no controle glicêmico e no peso;
- Busque acompanhamento ginecológico e endocrinológico de forma integrada.