Uma candidata com diabetes tipo 1 de 34 anos, que preferiu não se identificar, relatou ao Portal Um Diabético dificuldades enfrentadas durante a prova de analista legislativo aplicada pelo Cebraspe no Distrito Federal em 8 de março. Ela afirmou que a necessidade de medir glicemia e aplicar insulina fora da sala prejudicou o desempenho no exame e aumentou o estresse durante a avaliação.
Procedimento exigido durante a prova
Segundo a candidata, ao chegar para a prova, fiscais informaram que todos os aparelhos usados para medição de glicose deveriam ser lacrados em envelopes porta-objetos, mesmo após autorização prévia para seu uso. O procedimento condicionou a medição de glicemia e aplicação de insulina à saída da sala, acompanhada por técnico de enfermagem.

Ela relatou que essa exigência não estava descrita no edital e que interromperam repetidamente a prova para que pudesse medir a glicemia e aplicar insulina.
“O tempo perdido saindo da sala comprometeu a concentração. Não é algo que faz barulho ou demora, mas mesmo assim fomos obrigados a seguir esse procedimento”, disse.
A candidata explicou que já participou de outros processos seletivos do Cebraspe, e que em provas anteriores o uso desses equipamentos era permitido sem necessidade de sair da sala. Segundo ela, a imposição de regras não descritas no edital representou uma violação da isonomia entre candidatos e dificultou o desempenho.
Impactos na glicemia e no desempenho
De acordo com a participante, a glicemia no início do exame estava dentro do esperado, mas a combinação de estresse e a necessidade de interrupções frequentes fez os níveis subirem de forma significativa.
Durante a prova, a glicemia chegou a mais de 360 mg/dL e, posteriormente, ultrapassou 500 mg/dL. Ela relatou que essas alterações dificultaram o raciocínio e causaram dor de cabeça, comprometendo o desempenho em uma prova para a qual se preparou com consultoria de estudos e dedicação intensa.
A candidata registrou fotos do glicosímetro para comprovar como a situação impactou o desempenho, afirmando que somente quem convive com diabetes entende os efeitos dessas variações na capacidade de concentração e raciocínio. Além disso, ressaltou que a experiência emocional também foi afetada, causando choro e desestabilização durante a avaliação.
Ela afirmou ainda que recebeu uma folha do Cebraspe para relatar se teve acesso aos recursos solicitados, e indicou que o atendimento foi condicionado a regras não previstas, o que a fez marcar “não” na declaração de assistência.
Falta de suporte e regras do edital
A candidata apontou que a exigência de sair da sala para medir glicemia não faz sentido, especialmente em salas destinadas a pessoas com deficiência. Segundo ela, essa prática não estava prevista no edital e acabou prejudicando emocionalmente os participantes.
Ela questionou a justificativa de que os aparelhos eletrônicos, mesmo sem comunicação, não poderiam ser usados dentro da sala. O acompanhamento jurídico da banca confirmou a exigência, mesmo após a candidata argumentar que o procedimento era seguro e previamente autorizado.
Ainda segundo a participante, a aplicação prática do procedimento não considerou a possibilidade de concessão de tempo adicional prevista no edital, aumentando a desestabilização e comprometendo o desempenho.
Contexto de saúde e estresse em provas
A candidata destacou que, em contextos de prova, o cortisol já tende a elevar a glicemia e causar resistência à insulina. No seu caso, a carga de adrenalina foi maior que o habitual, resultando em níveis glicêmicos atípicos e dor de cabeça.
Ela ressaltou que, apesar de possuir exames recentes com hemoglobina glicada de 7,2%, nunca havia registrado glicemia tão elevada em provas anteriores. A necessidade de sair diversas vezes para medir glicose e aplicar insulina interferiu na rotina e aumentou o impacto do estresse sobre o controle da doença.
Posicionamento do Cebraspe
Em nota, o Cebraspe informou que o deferimento de atendimento especializado para uso de aparelho medidor de glicemia segue protocolos de segurança adotados nos eventos.
Por se tratar de equipamento eletrônico e não transparente, deve ser acondicionado em envelope porta-objetos e manuseado em ambiente definido, com acompanhamento de profissional de enfermagem.
O órgão ressaltou que a medição é pontual, leva apenas alguns minutos e que o edital prevê possibilidade de concessão de tempo adicional, desde que observadas as regras do certame.
