O segundo dia da ATTD 2026, realizado em Barcelona, trouxe uma novidade tecnológica voltada a quem convive com diabetes tipo 1. Os endocrinologistas André Vianna e Denise Franco conferiram um sensor que mede glicose e cetonas ao mesmo tempo, uma inovação que pode alterar a rotina de monitoramento e prevenção de complicações da doença.
Sensor que monitora glicose e cetonas
O dispositivo, baseado na plataforma da Abbott , o FreeStyle Libre parecido com o Libre 3, funciona como os sensores tradicionais de glicose, sendo aplicado no braço do usuário. No entanto, ele inclui a medição contínua de cetonas no sangue, um marcador importante para pessoas com diabetes tipo 1.
A presença elevada de cetonas pode indicar risco de cetoacidose diabética, uma condição grave que muitas vezes não apresenta sintomas iniciais. Por isso, a possibilidade de monitorar glicose e cetonas simultaneamente permite que o usuário acompanhe os níveis em tempo real e tome decisões rápidas sobre cuidados, reduzindo o risco de complicações.
“Se você tiver um sensor que mede cetona, é super seguro, não é, Denise?”, comentou André Vianna. “É isso, vai permitir que as pessoas aprendam sobre seus níveis e tomem decisões com mais segurança”, completou Denise Franco.
Aplicações além do diabetes tipo 1
O sensor não se restringe a pacientes com diabetes tipo 1. Ele também pode ser útil para pessoas que seguem dieta cetogênica, permitindo acompanhar como os níveis de cetona variam durante a rotina alimentar.
Pacientes com diabetes tipo 2 que utilizam gliflozina também podem monitorar alterações de cetona no sangue, dado que o medicamento pode aumentar esses níveis. A medição contínua fornece informações práticas que podem ajudar a ajustar hábitos e reduzir riscos, garantindo maior segurança no dia a dia.
Interpretação e aprendizado dos dados
Os especialistas destacaram que será necessário ensinar os usuários a interpretar os dados do sensor. A leitura simultânea de glicose e cetonas exige compreensão de limites e sinais de alerta, mas oferece ferramentas que permitem prevenir quadros graves de cetoacidose.
Na prática, o sensor permite que a pessoa veja a evolução de seus níveis de glicose e cetona, aprenda sobre o comportamento do corpo e tome atitudes de forma mais informada. Esse tipo de monitoramento contínuo contribui para reduzir complicações e melhorar a rotina de autocuidado.
Impacto na rotina do paciente
Segundo os especialistas, a introdução dessa tecnologia representa mudança no acompanhamento do diabetes tipo 1, oferecendo mais dados sem aumentar a complexidade do dia a dia. Enquanto antes os pacientes dependiam de medições separadas ou de sintomas já presentes, agora é possível ter informações contínuas e imediatas, auxiliando na tomada de decisões antes que surjam complicações.

Além disso, a tecnologia fornece insights que podem ser aplicados em contextos variados, incluindo dietas específicas ou uso de medicamentos que alteram os níveis de cetona. Isso amplia o alcance do sensor para diferentes perfis de pacientes, sem restringir sua utilidade apenas ao diabetes tipo 1.
Observações dos especialistas
André Vianna destacou que a novidade do sensor oferece uma visão completa dos níveis de glicose e cetona, permitindo que os usuários se preparem melhor e previnam complicações. Denise Franco reforçou que, embora a tecnologia seja avançada, é fundamental que os pacientes recebam orientação adequada sobre interpretação dos dados e tomada de decisão.
Próximos passos na ATTD 2026
O congresso segue até 14 de março, reunindo especialistas, pesquisadores e empresas que apresentam avanços em tecnologias para diabetes. A ATTD 2026 traz discussões sobre prevenção, monitoramento e tratamentos inovadores, incluindo dispositivos que combinam medições múltiplas para melhorar o cuidado com a doença.
O Portal Um Diabético acompanha o evento trazendo informações confiáveis e atualizadas sobre os principais destaques da ATTD 2026.