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    Anvisa aprova primeiro medicamento capaz de atrasar o diabetes tipo 1 e modificar a evolução da doença

    Registro do teplizumabe pela Anvisa permite uso de terapia que pode atrasar o diagnóstico clínico do diabetes tipo 1 em pessoas com autoanticorpos
    Laura Lany10 de março de 2026Updated:10 de março de 2026Nenhum comentário4 Mins Read
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    A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o medicamento teplizumabe, indicado para atraso do diagnóstico clínico do diabetes tipo 1. A decisão consta na Resolução-RE nº 897, publicada no Diário Oficial da União nesta segunda-feira (9).

    O medicamento será comercializado com o nome Tzield, produzido pela empresa Sanofi Medley Farmacêutica Ltda.. O registro tem validade até março de 2036.

    Nesse contexto, o produto foi aprovado como anticorpo monoclonal administrado por via intravenosa. O tratamento ocorre durante 14 dias consecutivos, em ambiente médico. Além disso, o objetivo da terapia é retardar a evolução da doença autoimune que leva ao diabetes tipo 1.

    Como o teplizumabe atua no organismo

    O teplizumabe atua diretamente sobre os linfócitos T, células do sistema imunológico que participam da destruição das células beta do pâncreas.

    No diabetes tipo 1, o sistema imune passa a atacar essas células responsáveis pela produção de insulina. Como consequência, ocorre aumento da glicose no sangue e necessidade de tratamento com insulina.

    Nesse contexto, o medicamento modula essa resposta imunológica. Portanto, a terapia desacelera a destruição das células produtoras de insulina.

    Enquanto isso, o organismo mantém a produção de insulina por mais tempo, o que pode atrasar a progressão da doença para o estágio clínico.

    Estudo clínico indica atraso no diagnóstico do diabetes tipo 1

    Um ensaio clínico publicado no New England Journal of Medicine avaliou o uso do teplizumabe em pessoas com risco de desenvolver diabetes tipo 1. Segundo o estudo, o tratamento retardou o diagnóstico clínico da doença em média dois anos.

    Ainda assim, esse intervalo pode trazer impacto na prática clínica. Por exemplo, o atraso no diagnóstico pode reduzir o risco de cetoacidose diabética no momento da descoberta da doença.

    Além disso, o período adicional permite planejamento familiar e acompanhamento médico estruturado antes da fase de necessidade permanente de insulina.

    Quem pode receber o tratamento

    O diabetes tipo 1 atualmente é dividido em três estágios clínicos. No estágio 1, a pessoa apresenta autoanticorpos associados à doença, mas ainda mantém glicemia normal. No estágio 2, surgem alterações glicêmicas, porém sem sintomas.

    Já o estágio 3 corresponde ao diagnóstico clínico tradicional. Nesse cenário, o medicamento foi aprovado nos Estados Unidos para pessoas a partir de 8 anos que estejam no estágio 2 da doença. Ou seja, o tratamento depende da identificação prévia de autoanticorpos e alterações metabólicas antes do aparecimento dos sintomas.

    Rastreamento de autoanticorpos entra no debate

    A possibilidade de atrasar o diagnóstico do diabetes tipo 1 amplia a discussão sobre rastreamento de autoanticorpos.

    A Sociedade Brasileira de Diabetes passou a enfatizar a importância desse rastreio, principalmente entre familiares de primeiro grau de pessoas com diabetes tipo 1.

    Enquanto isso, o diagnóstico da doença ainda ocorre, na maioria dos casos, apenas quando os sintomas aparecem.

    Portanto, identificar a doença em estágios iniciais pode permitir monitoramento antecipado e eventual uso de terapias modificadoras da doença.

    No entanto, o rastreamento de autoanticorpos ainda não integra um programa nacional no Sistema Único de Saúde (SUS).

    O que a ciência já sabe sobre o medicamento

    O teplizumabe não previne o diabetes tipo 1 de forma definitiva. A terapia tem como objetivo apenas retardar a progressão da doença.

    Além disso, o medicamento pode causar efeitos adversos. Entre eles estão erupção cutânea, dor de cabeça e redução temporária de linfócitos.

    Em casos raros, pode ocorrer síndrome de liberação de citocinas, condição que exige monitoramento médico durante o tratamento.

    Nesse contexto, especialistas ressaltam a necessidade de acompanhamento em centros com experiência clínica.

    Impacto para quem convive com diabetes tipo 1

    Para pessoas que já vivem com diabetes tipo 1, o medicamento não substitui a insulina e não representa a cura. Ainda assim, o conceito de tratamento representa mudança na forma de lidar com a doença.

    Enquanto o modelo atual inicia o cuidado após o diagnóstico clínico, terapias imunológicas buscam intervir antes do colapso metabólico.

    Além disso, o atraso no diagnóstico pode reduzir o impacto do momento da descoberta da doença, principalmente em crianças e adolescentes.

    Após mais de um século da descoberta da insulina por Frederick Banting, pesquisadores passaram a investigar terapias capazes de modificar a evolução do diabetes tipo 1.

    Nesse cenário, o registro do teplizumabe marca a entrada de uma abordagem voltada para intervenção precoce no processo autoimune.

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    Laura Lany

    Gerente de Conteúdo e Redes Sociais - Jornalista mineira, natural de Uberlândia, Laura é descolada, sensível e criativa. Traz para o projeto uma visão estratégica e conectada com as tendências digitais. É responsável pela distribuição dos conteúdos nas redes sociais, escreve reportagens especiais para o portal e atua na produção audiovisual. Desde que abraçou a causa do diabetes, há três anos, mergulhou no universo do Um Diabético com dedicação e empatia. Está constantemente se atualizando para potencializar o alcance e o impacto do nosso conteúdo.

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