O diagnóstico de diabetes atinge cerca de 13 milhões de brasileiros, e uma das complicações mais temidas dessa condição é o surgimento de úlceras nos membros inferiores. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), aproximadamente 20% das internações de pessoas com a doença são motivadas por lesões nos pés.
Nesse contexto, quando não são tratadas adequadamente, essas feridas podem evoluir para quadros graves. O cenário é preocupante. No entanto, o avanço das técnicas de curativo e o acompanhamento especializado mostram que o desfecho clínico nem sempre precisa ser a perda de um membro.
Assim, com diagnóstico precoce e tratamento adequado, muitos pacientes conseguem preservar a mobilidade e evitar complicações maiores.
A amputação deve ser o último recurso
Muitos pacientes chegam ao consultório com o emocional abalado, acreditando que a cirurgia de amputação é o único caminho após uma ferida que não cicatriza. Entretanto, a tecnologia atual permite reverter quadros que antes eram considerados perdidos.
“A amputação deve ser encarada como o último recurso, e não como a primeira opção. Quando unimos o controle da glicemia a técnicas modernas de estomaterapia, conseguimos salvar membros que já estavam com indicação cirúrgica.”
Dra. Micheline Sarquis | Estomaterapeuta especializada em feridas crônicas | Fundadora do Instituto Micheline Sarquis
Além disso, a abordagem multidisciplinar tem ampliado as chances de recuperação, principalmente quando o paciente procura atendimento especializado logo nos primeiros sinais de lesão.
Por que o pé diabético exige atenção redobrada
A especialista explica que o segredo para o sucesso do tratamento está na agilidade da intervenção e na escolha de coberturas inteligentes que estimulam a regeneração do tecido.
Isso ocorre porque o pé diabético exige um olhar minucioso. Em muitos casos, a perda de sensibilidade causada pela neuropatia faz com que pequenos machucados passem despercebidos até se tornarem infecções profundas.
De acordo com a estomaterapeuta, o tratamento especializado tem três objetivos principais:
- limpar a lesão;
- controlar a carga bacteriana;
- manter o equilíbrio da umidade da ferida.
Dessa forma, cria-se um ambiente adequado para que a pele se regenere. Além disso, o tempo de resposta é determinante: quanto mais cedo a ferida recebe o cuidado correto, maiores são as chances de preservar o membro.
A importância de uma abordagem humanizada
Além do uso de curativos de alta tecnologia, a abordagem humanizada também faz diferença na adesão do paciente ao tratamento. Isso acontece porque o medo é um dos maiores obstáculos, já que muitas pessoas associam automaticamente a ferida à amputação.
Por isso, acolher o paciente e esclarecer as possibilidades de tratamento torna-se parte fundamental do processo de recuperação.
“Receber um paciente com uma ferida complexa e devolver a ele a capacidade de caminhar sem dor é o que motiva nosso trabalho diário. Precisamos desmistificar a ideia de que o diabetes é uma sentença de invalidez.”
Dra. Micheline Sarquis | Estomaterapeuta especializada em feridas crônicas
O papel da família no tratamento
A família também desempenha um papel fundamental nesse processo. Isso porque, muitas vezes, são os familiares que ajudam a monitorar a higienização correta, o repouso necessário e a evolução da ferida.
A educação em saúde promovida no Instituto Micheline Sarquis orienta não apenas sobre como tratar a lesão instalada, mas também sobre como prevenir novas feridas.
Entre as principais medidas estão:
- inspeção diária dos pés;
- uso de calçados adequados;
- hidratação correta da pele.
Assim, a prevenção reduz drasticamente o risco de complicações severas.
Ainda assim, mesmo pacientes que já desenvolveram lesões têm, na maioria dos casos, possibilidade real de cicatrização quando acompanhados por equipe especializada.
Quando procurar ajuda: sinais de alerta no pé diabético
Identificar alterações precocemente é essencial para evitar complicações mais graves. Portanto, alguns sinais devem ser avaliados imediatamente por um profissional de saúde.
🔍 Sinais que exigem avaliação imediata
- Alteração de cor na pele dos pés (vermelhidão, escurecimento ou palidez)
- Mudança de temperatura na região (mais quente ou mais fria que o restante do pé)
- Surgimento de bolhas, calos ou pequenos ferimentos
- Ferida que não cicatriza em até duas semanas
- Inchaço, odor ou secreção na região
O avanço da medicina regenerativa e o cuidado especializado transformaram o prognóstico de quem convive com a doença. Portanto, ao identificar qualquer uma dessas alterações, o paciente deve procurar auxílio técnico o quanto antes.
“O tempo é um fator determinante na preservação da autonomia do indivíduo. Com o manejo correto, a cicatrização é uma realidade alcançável para a grande maioria dos casos.”
Dra. Micheline Sarquis | Estomaterapeuta especializada em feridas crônicas | Fundadora do Instituto Micheline Sarquis
O que pessoas com diabetes podem fazer para proteger os pés
📋 Cuidados essenciais no dia a dia
- Inspecione seus pés todos os dias, incluindo a sola e entre os dedos.
- Use calçados adequados, sem pressão ou atrito excessivo.
- Hidrate os pés, evitando aplicar creme entre os dedos.
- Nunca corte calos ou unhas encravadas sem orientação profissional.
- Ao notar qualquer alteração, busque avaliação com estomaterapeuta ou podólogo especializado em diabetes.
- Mantenha o controle glicêmico, pois a glicemia elevada prejudica a cicatrização.
- Consulte regularmente seu endocrinologista para ajuste do tratamento.