O Sistema Único de Saúde (SUS) vai receber um programa piloto para avaliar o uso da semaglutida no tratamento da obesidade grave, condição que aumenta o risco de diabetes tipo 2. A iniciativa foi lançada em parceria com a Novo Nordisk e o Governo da Dinamarca, e a semaglutida está disponível nos tratamentos comerciais Ozempic e Wegovy.
O projeto integra o programa global Acesso Equitativo e terá Brasil, Ilhas do Pacífico e Dinamarca como primeiros locais de implementação. O foco brasileiro será exclusivamente a obesidade, embora a semaglutida também trate diabetes.
Além disso, o programa vai gerar dados clínicos, sociais e econômicos sobre o impacto do tratamento da obesidade no SUS, fornecendo informações para decisões futuras em políticas públicas de saúde.
Centros do SUS acompanharão pacientes diretamente
O programa ocorrerá em três centros do SUS, abrangendo os níveis federal, estadual e municipal da administração pública.
Em Porto Alegre, o Grupo Hospitalar Conceição acompanhará os pacientes. No Rio de Janeiro, o projeto será conduzido pelo Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia Luiz Capriglione. Um município ainda será selecionado para completar o piloto.
Enquanto isso, cada instituição vai definir critérios de elegibilidade com base em protocolos locais. Os pacientes já recebem acompanhamento nos serviços de saúde participantes.
O lançamento ocorreu em Brasília, na presença do ministro da Saúde, Alexandre Padilha. O Ministério da Saúde acompanhará os resultados do programa de perto.
Programa vai gerar dados sobre obesidade e risco de diabetes
Durante dois anos, os centros do SUS vão monitorar os pacientes com obesidade grave. O programa avaliará o efeito da semaglutida injetável dentro de um modelo de cuidado multidisciplinar.
Além disso, profissionais de saúde receberão treinamento técnico e suporte para aplicar protocolos de atendimento estruturados. Por outro lado, parceiros acadêmicos vão analisar dados de vida real, garantindo rigor científico e transparência.
Portanto, essas informações poderão ajudar a planejar políticas públicas, organizar fluxos de atendimento e criar estratégias de prevenção de diabetes relacionado à obesidade.
Impacto econômico e clínico no SUS
O programa também vai medir os efeitos econômicos do cuidado integral às pessoas com obesidade atendidas pelo SUS.
Pesquisadores vão acompanhar se o tratamento estruturado reduz complicações como cirurgias cardíacas, internações e doenças crônicas associadas à obesidade. Ainda assim, o foco principal permanece na prevenção de diabetes tipo 2 e na melhoria da qualidade de vida.
Segundo Leonardo Bia, vice-presidente de Assuntos Corporativos e Sustentabilidade da Novo Nordisk Brasil, o programa busca mostrar como um modelo multidisciplinar pode ampliar o acesso a tratamentos para populações com menor acesso a cuidados de saúde.
Obesidade cresce no Brasil e aumenta risco de diabetes
O Atlas Mundial da Obesidade 2025 indica que 31% da população brasileira vive com obesidade. Nesse contexto, o risco de diabetes tipo 2 e outras doenças crônicas aumenta significativamente.
Portanto, o programa piloto vai avaliar se o uso estruturado da semaglutida pode reduzir riscos de diabetes e melhorar o cuidado aos pacientes. Além disso, os dados poderão orientar protocolos de atendimento e políticas públicas voltadas à obesidade e suas complicações.