A saúde mental no diabetes interfere no controle da glicemia, na adesão ao tratamento e na forma como a pessoa enfrenta o diagnóstico. O psicólogo Cláudio Cancellieri, especializado em diabetes, afirma que não existe fórmula única. No entanto, ele aponta caminhos que começam no momento do diagnóstico.
Saúde mental no diabetes começa no diagnóstico
O diagnóstico de diabetes altera a rotina e impõe decisões diárias. Nesse contexto, Cláudio Cancellieri afirma que o primeiro momento define a forma como a pessoa lidará com a condição. Segundo ele, muitos encaram o diagnóstico como fim. No entanto, ele defende que o diabetes representa uma jornada.
Ele explica que saúde mental significa bem-estar físico, mental e social. Portanto, não se trata apenas de ausência de doença. A pessoa que compreende o tratamento e assume autonomia tende a desenvolver maior estabilidade emocional. Além disso, quando entende o que faz e por que faz, reduz a culpa diante de hiperglicemias ou hipoglicemias.
O psicólogo afirma que aceitar não significa passividade. Pelo contrário, aceitar significa reconhecer a existência da condição para agir sobre ela. Enquanto a negação impede o tratamento, a aceitação permite autonomia.
Isolamento impacta o controle do diabetes
O isolamento compromete a saúde mental no diabetes. Segundo Cancellieri, o isolamento se associa à ansiedade e depressão. Além disso, ele compara o tratamento a uma jornada em que ninguém caminha sozinho.
Nesse contexto, ele destaca a importância da rede de apoio. Família, amigos e equipe de saúde influenciam diretamente a adesão ao tratamento. Quando a pessoa compartilha dificuldades, reduz o peso emocional do controle glicêmico.
Ele afirma que a psicoterapia atua como espaço de fala. A terapia não trata apenas o diabetes. Ela trata a pessoa que vive com diabetes. Portanto, o foco não se limita à glicemia, mas às ferramentas que a pessoa utiliza para lidar com estressores da vida.
Crianças e adolescentes: autonomia reduz conflitos
No caso do diabetes tipo 1 na infância, Cancellieri considera o diagnóstico uma etapa decisiva. Ele afirma que a criança percebe a reação dos pais antes mesmo de compreender a doença. Portanto, se os pais demonstram desespero, a criança interpreta ameaça.
Além disso, ele defende que pais devem ensinar autonomia progressiva. Quando a criança aprende a aplicar insulina e a contar carboidratos com supervisão, desenvolve responsabilidade. Enquanto isso, se os responsáveis concentram todo o controle, a adolescência pode trazer conflito.
Segundo ele, a rebeldia muitas vezes reflete falta de autonomia anterior. Portanto, oferecer responsabilidade gradual facilita a adesão futura.
Diabetes tipo 2 e resistência à mudança
No diabetes tipo 2, o desafio envolve história de vida e simbolismo. Cancellieri explica que o alimento representa mais do que nutrição. Ele pode simbolizar afeto, memória e recompensa. Portanto, quando o profissional recomenda reduzir doces, a pessoa pode interpretar como perda emocional.
Além disso, adultos com mais de 50 anos podem questionar a necessidade de mudança. Nesse cenário, o psicólogo afirma que o tratamento não difere das recomendações para qualquer pessoa que deseja envelhecer com saúde: alimentação adequada, atividade física, acompanhamento médico e manejo do estresse.
No entanto, ele ressalta que a pessoa com diabetes precisa cumprir essas etapas com disciplina contínua.
Diabetes gestacional e foco na proteção
No diabetes gestacional, Cancellieri observa menor resistência ao tratamento. Segundo ele, a gestante tende a priorizar a saúde do bebê. Portanto, ela aceita com mais facilidade ajustes na alimentação e no uso de insulina.
Ainda assim, ele reconhece que o susto inicial gera medo. Nesse contexto, acompanhamento adequado reduz insegurança. Quando a mulher recebe orientação clara, a adesão ocorre de forma consistente.
Aceitação como estratégia de cuidado diário
Cancellieri afirma que o diabetes não deve ocupar o centro da vida. Ele defende que sonhos e projetos precisam permanecer como prioridade. O tratamento deve se adaptar à vida, e não o contrário.
Além disso, ele reforça que perfeição não existe no controle glicêmico. A pessoa deve agir hoje. No entanto, deve repetir esse cuidado no dia seguinte. Segundo ele, a constância supera a cobrança por resultados imediatos.
Por fim, ele resume: quem aceita a condição desenvolve maturidade para enfrentar outras adversidades. A saúde mental no diabetes não elimina desafios. Contudo, fortalece a forma de enfrentá-los.
