A neuropatia diabética representa uma das complicações mais comuns do diabetes e, muitas vezes, evolui de forma silenciosa. Em muitos casos, o paciente só percebe o problema quando já perdeu parte significativa da sensibilidade nos pés. Por isso, ele precisa manter atenção constante.
Segundo a podóloga e especialista em pé diabético, Andréa Costa, a ausência de dor não indica proteção. Ao contrário, ela pode sinalizar comprometimento da sensibilidade protetora. Ou seja, quando o paciente não sente dor, ele pode não perceber um ferimento.
O que acontece no organismo
Níveis elevados de glicose no sangue danificam os nervos periféricos ao longo do tempo. Como consequência, o corpo reduz a capacidade de perceber dor, temperatura e pressão.
Nos pés, essa alteração compromete principalmente a percepção de pequenos traumas. Assim, o paciente pode pisar em um objeto pontiagudo e continuar caminhando normalmente. Além disso, ele pode desenvolver bolhas ou fissuras sem notar.
Nessas situações, o risco aumenta porque o paciente não identifica o problema rapidamente.
Sintomas mais comuns
A neuropatia diabética provoca:
- Formigamento nos pés
- Sensação de queimação
- Dormência
- Pequenos choques
- Perda de sensibilidade ao toque
Inicialmente, os sintomas aparecem de forma leve. No entanto, a progressão da doença reduz cada vez mais a sensibilidade. Em estágios mais avançados, o paciente não sente cortes, bolhas ou perfurações.
Consequentemente, o risco de infecção cresce. Por esse motivo, o paciente deve investigar qualquer alteração imediatamente.
Como o profissional avalia
Durante o atendimento, o profissional testa a sensibilidade com instrumentos específicos. Primeiramente, ele utiliza o monofilamento para avaliar a resposta ao toque em pontos estratégicos da planta do pé. Se o paciente não responde ao estímulo, o profissional identifica possível neuropatia.
Além disso, o especialista usa o diapasão para avaliar a sensibilidade vibratória. Quando o paciente não percebe a vibração, o exame indica comprometimento mais profundo das fibras nervosas.
Dessa forma, o profissional identifica alterações precocemente e encaminha o paciente para avaliação médica quando necessário.
Por que a prevenção reduz complicações
A perda de sensibilidade aumenta o risco de:
- Úlceras
- Infecções
- Complicações graves
- Amputações
Diante desse cenário, o paciente precisa inspecionar os pés diariamente. Ele deve observar a cor da pele, verificar fissuras, calosidades e alterações nas unhas.
Além disso, deve checar áreas avermelhadas e pontos de pressão causados por calçados inadequados.
Cuidados que reduzem riscos
O paciente deve:
- Evitar andar descalço
- Usar calçados fechados e confortáveis
- Preferir meias de algodão claras
- Hidratar a pele regularmente (evitando entre os dedos)
- Buscar avaliação profissional periódica
Em resumo, o paciente controla os riscos quando mantém rotina e disciplina. Embora a neuropatia não tenha cura, o acompanhamento adequado reduz significativamente as complicações.
Segundo Andréa Costa, o acompanhamento mensal permite identificar alterações no início. Dessa maneira, o paciente inicia o tratamento antes que o quadro evolua.
