A diabulimia consiste na omissão ou redução intencional da dose de insulina com o objetivo de perder peso. Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), o comportamento mantém a glicemia elevada de forma constante e provoca perda de glicose na urina, o que leva ao emagrecimento.
O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, o DSM-5, descreve essa prática como um transtorno alimentar associado ao diabetes tipo 1. Nesse contexto, a pessoa deixa de aplicar ou reduz doses de insulina para alterar o peso corporal.
Como a diabulimia provoca perda de peso
A insulina permite a entrada da glicose nas células. Quando a pessoa reduz ou omite a aplicação, a glicose permanece elevada no sangue. Além disso, o organismo elimina parte dessa glicose pela urina, fenômeno chamado glicosúria.
Como resultado, o corpo perde calorias e ocorre emagrecimento. No entanto, a hiperglicemia se mantém de forma persistente. Portanto, o controle metabólico se deteriora mesmo quando a pessoa segue outras orientações.
Internações e descompensação da glicemia
A diabulimia aumenta o risco de cetoacidose diabética, condição que exige atendimento hospitalar. Além disso, a prática também pode provocar hipoglicemias graves, especialmente quando há alternância entre omissão e uso irregular de insulina.
Nesse cenário, a hemoglobina glicada permanece elevada. Enquanto isso, o organismo sofre com a exposição contínua a níveis altos de glicose.
Complicações crônicas em menos de cinco anos
A manutenção da glicemia elevada acelera o surgimento de complicações crônicas do diabetes tipo 1. Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes, pessoas com diabulimia podem desenvolver retinopatia, neuropatia e nefropatia em menos de cinco anos de diagnóstico.
Portanto, o impacto não se limita ao peso corporal. Ainda assim, muitos pacientes minimizam a frequência com que deixam de usar insulina, o que dificulta o diagnóstico.
Sinais de alerta e investigação pelos profissionais
Jovens com diabetes podem associar a manipulação da insulina a outras práticas de purgação. Entre elas estão vômitos, uso de laxantes, diuréticos e exercícios físicos em excesso com foco exclusivo na perda de peso.
Nesse contexto, profissionais de saúde devem investigar preocupação excessiva com peso e imagem corporal. Além disso, controle glicêmico persistentemente inadequado, apesar de orientações prescritas, exige avaliação cuidadosa.
A diabulimia figura entre os transtornos alimentares com maior risco para pessoas com diabetes tipo 1. No entanto, o número de casos permanece subnotificado, já que muitos pacientes relatam apenas parte do comportamento.
Para quem convive com diabetes, a informação e o acompanhamento regular fazem diferença na prevenção de complicações. Portanto, equipes de saúde precisam abordar o tema de forma direta durante as consultas.
