O Ministério da Saúde decidiu manter a finerenona fora do Sistema Único de Saúde (SUS). A pasta rejeitou o recurso apresentado pela fabricante do medicamento e confirmou a decisão em despacho publicado no Diário Oficial da União nesta quinta-feira (19).
Com isso, pessoas com diabetes tipo 2 que desenvolveram doença renal crônica continuarão sem acesso ao medicamento pela rede pública. Agora, o processo segue para análise do ministro da Saúde, Alexandre Rocha Santos Padilha, que poderá manter ou revisar o entendimento técnico.
Por que o Ministério da Saúde negou a incorporação
A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) avaliou a finerenona antes da decisão final. O órgão analisou estudos clínicos, impacto orçamentário e custo-efetividade. Depois dessa análise, a comissão recomendou que o SUS não incorporasse o medicamento nas condições apresentadas.
Em dezembro de 2025, o Ministério da Saúde publicou a portaria oficializando a negativa. Em seguida, a Bayer S.A., fabricante da finerenona, entrou com um pedido de reconsideração. No entanto, a secretaria responsável pela área técnica rejeitou o recurso e manteve o entendimento inicial.
Segundo o despacho, a decisão segue critérios técnicos e regras previstas no Decreto nº 7.646/2011. Dessa forma, o caso agora depende de manifestação final do ministro.
O que é a finerenona e para quem ela é indicada
A finerenona é indicada para pessoas com diabetes tipo 2 que tiveram complicações renais e desenvolveram doença renal crônica em estágios moderados a avançados. O medicamento atua para retardar a progressão do dano nos rins e, além disso, reduzir o risco de problemas cardiovasculares.
Estudos clínicos internacionais, como FIDELIO-DKD e FIGARO-DKD, apontaram benefícios na redução da piora da função renal e na diminuição de eventos cardiovasculares. Ainda assim, o SUS precisa considerar não apenas a eficácia clínica, mas também o custo e o impacto financeiro para o sistema público.
Por isso, mesmo com evidências de benefício, o Ministério da Saúde optou por não incluir a finerenona na lista de medicamentos fornecidos gratuitamente.
O que muda para quem tem diabetes tipo 2 e doença renal
Na prática, nada muda para os pacientes atendidos pelo SUS. A rede pública continuará oferecendo os tratamentos já incorporados, como bloqueadores do sistema renina-angiotensina e inibidores de SGLT2.
Enquanto isso, a finerenona segue disponível apenas na rede privada, mediante prescrição médica.
A doença renal crônica representa uma das complicações mais graves do diabetes tipo 2. Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes, o controle da glicemia e da pressão arterial reduz o risco de progressão do dano renal. Portanto, médicos reforçam a importância do acompanhamento regular e da adesão ao tratamento já disponível.
O que pode acontecer agora
O ministro da Saúde ainda analisará o processo. Caso ele concorde com a área técnica, a decisão será definitiva. Por outro lado, se houver revisão, o tema poderá voltar à avaliação.
Até lá, o SUS não fornecerá a finerenona para pessoas com diabetes tipo 2 que desenvolveram doença renal crônica.
Assim, o debate continua. De um lado, especialistas destacam os benefícios clínicos apontados nos estudos. De outro, o governo considera os limites orçamentários e as prioridades do sistema público de saúde.
Referências
- Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS – Relatório de Recomendação sobre Finerenona (2025) – https://www.gov.br/conitec
- Ministério da Saúde – Portaria SCTIE/MS nº 92, de 26 de dezembro de 2025 – https://www.gov.br/saude
- Bakris GL et al. FIDELIO-DKD. New England Journal of Medicine. 2020;383:2219-2229. DOI: 10.1056/NEJMoa2025845
- Pitt B et al. FIGARO-DKD. New England Journal of Medicine. 2021;385:2252-2263. DOI: 10.1056/NEJMoa2110956
- Sociedade Brasileira de Diabetes – Diretrizes 2023-2024 – https://www.diabetes.org.br