Um paciente com diabetes tipo 2 descontrolado quase deixou de iniciar insulinoterapia após promessa de cura feita por videochamada. O caso foi relatado através de um vídeo publicado nas redes sociais pelo médico Vinícius Germano, que atua em clínica e acompanha rotineiramente pessoas com a doença.
Segundo ele, o paciente apresentava hemoglobina glicada em torno de 13% e sinais de comprometimento renal. Diante do quadro, a conduta indicada foi iniciar insulinoterapia como parte do controle do diabetes tipo 2.
No entanto, durante a consulta, o homem afirmou que já havia “resolvido” o problema.
A promessa de “cura do diabetes” por videochamada
De acordo com o médico, o paciente relatou ter feito uma videochamada com uma mulher que prometia curar o diabetes por meio de acupuntura. A sessão custaria R$ 600.
“Ele disse que já tinha marcado a consulta e que a profissional explicou tudo”, contou Germano. O paciente acreditava que conseguiria baixar a glicemia sem iniciar o tratamento planejado.
Ainda assim, antes de comparecer ao atendimento alternativo, decidiu perguntar a opinião do médico.
Resistência à insulina é frequente no diabetes tipo 2
Vinícius Germano afirma que a resistência ao uso de insulina é comum no consultório. Segundo ele, muitos pacientes associam a insulinoterapia a gravidade extrema ou fracasso pessoal no controle da doença.
Nesse contexto, ele reforça que a indicação de insulina faz parte da prática médica baseada em critérios clínicos. No caso citado, a glicada elevada e os sinais de complicação renal exigiam intensificação do tratamento.
Além disso, a insulina é fornecida gratuitamente pelo SUS, o que garante acesso ao medicamento.
Orientação como parte do cuidado
O médico relata que dedicou cerca de dez minutos da consulta para explicar que o paciente estava diante de uma promessa sem base científica. Segundo ele, o objetivo não foi julgar, mas esclarecer.
Após a conversa, o paciente enviou mensagem à pessoa que oferecia o procedimento e informou que não compareceria.
Para Germano, combater métodos não científicos também integra a responsabilidade profissional. “O papel do médico é orientar contra o charlatanismo, porque isso também é problema de saúde pública”, afirmou.
Informação e redes sociais
O relato foi publicado em vídeo com tom de alerta. No conteúdo, o médico narra o diálogo ocorrido em consultório e questiona como promessas sem comprovação conseguem convencer pacientes a pagar valores elevados.
Segundo ele, pretende continuar produzindo vídeos sobre diabetes tipo 2 e tratamento. Para o profissional, páginas que divulgam informação qualificada contribuem para reduzir riscos associados à desinformação.