O número de adultos com diabetes no Brasil mais que dobrou em menos de duas décadas, segundo dados oficiais do Ministério da Saúde. Nesse contexto, o crescimento acelerado da doença pressiona o SUS e reforça a aposta em políticas de prevenção.
Dados do Vigitel 2025 mostram que a prevalência de diabetes passou de 5,5% em 2006 para 12,9% em 2024, um aumento de 135%. Além disso, hipertensão, obesidade e excesso de peso também avançaram de forma consistente no período.
Diabetes avança junto a outros fatores de risco
O levantamento aponta que a obesidade cresceu 118% entre adultos brasileiros em 18 anos. Enquanto isso, a hipertensão aumentou 31% e o excesso de peso atingiu quase metade da população adulta.
No entanto, esses números não surgem isolados. Segundo o Vigitel, mudanças no padrão de atividade física, alimentação e sono ajudam a explicar o cenário atual das doenças crônicas não transmissíveis.
A prática de atividade física no deslocamento caiu de 17% para 11,3% desde 2009. Por outro lado, a atividade física no tempo livre chegou a 42,3% dos adultos em 2024.
Ainda assim, o consumo regular de frutas e hortaliças permanece em torno de 31%, índice considerado baixo por especialistas em saúde pública.
Impactos do diabetes na rotina e no sistema de saúde
O crescimento do diabetes traz efeitos diretos para quem convive com a condição. Além do tratamento contínuo, há impacto no acesso a medicamentos, exames e acompanhamento multiprofissional.
Nesse contexto, a atenção primária à saúde se torna central. O acompanhamento inadequado do diabetes está associado a complicações cardiovasculares, renais e oftalmológicas, que elevam custos e reduzem qualidade de vida.
Portanto, estratégias focadas apenas no tratamento tendem a ser insuficientes diante da expansão dos fatores de risco.
Viva Mais Brasil aposta na prevenção e atividade física
Como resposta, o Ministério da Saúde lançou a estratégia Viva Mais Brasil, com investimento anunciado de R$ 340 milhões. A iniciativa foi apresentada pelo ministro Alexandre Padilha, no Rio de Janeiro, em 28 de janeiro.
O programa prioriza ações de promoção da saúde e prevenção de doenças crônicas, com destaque para a retomada da Academia da Saúde. Segundo o governo, R$ 40 milhões já estão previstos para 2026.
Atualmente, o país conta com 1.775 Academias da Saúde. A expectativa é credenciar mais 300 unidades até o final do ano, ampliando o acesso a espaços vinculados às unidades básicas de saúde.
De acordo com o Ministério da Saúde, a presença de profissionais orientando atividades físicas pode reduzir o uso de medicamentos. Além disso, o convívio social é apontado como fator positivo para a saúde mental.
Indicadores de qualidade e reforço da atenção primária
O Viva Mais Brasil também está ligado ao fortalecimento da Atenção Primária à Saúde. Em 2025, o ministério definiu 15 indicadores de qualidade para monitorar o cuidado de crianças, gestantes, idosos e pessoas com doenças crônicas.
Nesse modelo, municípios que atingirem metas poderão receber até 30% a mais de recursos federais. O investimento específico para enfrentamento do diabetes e da hipertensão pode chegar a R$ 1,5 bilhão em 2026.
Enquanto isso, o Novo PAC Saúde prevê a construção de 2,6 mil unidades básicas, além da entrega de equipamentos e kits de telessaúde. A proposta é ampliar o acesso e qualificar o acompanhamento na ponta do SUS.
Limites dos dados e desafios futuros
Embora o Vigitel seja uma das principais pesquisas sobre fatores de risco no país, ele se baseia em entrevistas telefônicas nas capitais. Portanto, há limitações na representação de áreas rurais e populações sem acesso regular a telefone.
Ainda assim, os dados oferecem um retrato consistente das tendências nacionais. Especialistas apontam que, sem mudanças estruturais, o crescimento do diabetes tende a se manter nos próximos anos.
Nesse cenário, iniciativas de promoção da saúde ganham relevância. No entanto, o impacto real dependerá da continuidade dos investimentos e da adesão da população às mudanças propostas.
