Medicamentos da classe dos agonistas do receptor de GLP-1, como o famoso Ozempic e o Wegovy, ganharam destaque mundial pelos seus benefícios no controle da glicemia e na perda de peso. No entanto, pesquisadores continuam investigando como essas substâncias afetam outras partes do corpo, além do coração e dos rins. Recentemente, um novo efeito colateral entrou no radar da ciência: a relação entre tosse crônica e GLP-1.
Um estudo recente publicado no JAMA Otolaryngology–Head & Neck Surgery analisou registros médicos nos Estados Unidos e trouxe dados importantes para quem utiliza esses medicamentos.
O que os pesquisadores descobriram
Os cientistas observaram o histórico de saúde de pessoas com diabetes tipo 2 em tratamento. Assim, a análise revelou que os pacientes tratados com medicamentos GLP-1 apresentaram uma probabilidade cerca de 10% maior de desenvolver uma tosse persistente em comparação com aqueles que utilizavam outros tipos de medicação.
Para garantir a precisão dos dados sobre a tosse crônica e GLP-1, os pesquisadores excluíram da análise pessoas que já tinham diagnóstico prévio de doença do refluxo gastroesofágico (DRGE). Isso ajuda a isolar o medicamento como um fator potencial para o surgimento do sintoma.
Possíveis causas para a tosse
Ainda não existe uma resposta definitiva sobre o mecanismo exato que liga a tosse crônica e GLP-1, mas os especialistas levantaram algumas hipóteses. Entre as razões mais prováveis para essa associação estão o refluxo ácido, asma ou até mesmo reações alérgicas.
Como esses medicamentos retardam o esvaziamento gástrico (fazem a comida ficar mais tempo no estômago), isso pode facilitar o retorno do ácido estomacal para o esôfago, irritando a garganta e provocando a tosse.
A importância de falar com seu médico
Embora mais pesquisas sejam necessárias para compreender totalmente esse vínculo, a informação é valiosa para o dia a dia de quem convive com o diabetes. Se você utiliza esses medicamentos e notou o surgimento de uma tosse que não passa, é fundamental conversar com seu profissional de saúde.
O médico poderá avaliar se o sintoma está relacionado ao refluxo e sugerir tratamentos adequados, como o uso de inibidores de bomba de prótons (ex: omeprazol) ou outras estratégias para evitar o acúmulo de ácido. Nunca interrompa o tratamento sem orientação médica.
O estudo original, intitulado “Glucagon-Like Peptide-1 Receptor Agonists and Chronic Cough”, foi publicado no periódico científico JAMA Otolaryngology–Head & Neck Surgery.
Você pode conferir o estudo na íntegra através deste link: JAMA Network