Muitas pessoas que convivem com o diabetes percebem mudanças repentinas no comportamento, mas nem sempre associam isso aos níveis de açúcar no sangue. A relação entre glicose alta e humor é real e impacta diretamente a qualidade de vida. Recentemente, o jornalista Tom Bueno, criador do portal “Um Diabético”, compartilhou um vídeo descontraído e revelador em seu Instagram sobre esse tema.
No vídeo, Tom questiona, em tom de brincadeira, o que acontece com seu temperamento quando a glicemia sobe. A resposta de quem convive com ele é imediata e sincera: ele fica “irritadíssimo”.
O jornalista brinca com a situação, dizendo: “Eu não sou nervoso, é culpa da glicose alta”. Embora o vídeo trate o assunto com leveza, ele ilustra um sintoma clássico e muitas vezes negligenciado do descontrole glicêmico. Assim, a oscilação da glicose não afeta apenas o corpo físico, mas também o bem-estar emocional.
O que aconteceu no vídeo de Tom Bueno
No registro publicado nas redes sociais, Tom Bueno pergunta a uma pessoa próxima (provavelmente seu companheiro) sobre seu estado emocional durante episódios de hiperglicemia. O diálogo é direto:
“O que acontece quando eu tô com a glicose alta? Eu fico o quê?”, pergunta Tom. “Estressado”, respondem. Tom insiste: “Eu fico estressado? Falo bravo?”. A resposta vem rápida: “Não, você fica irritado. Irritadíssimo”.
Assim, essa interação confirma que, para quem tem diabetes, a mudança de humor é perceptível até para quem está ao redor. Tom finaliza o vídeo com uma legenda que resume o sentimento de muitos: “Se não fosse a glicose alta, eu seria a pessoa mais de boa”.
Portanto, identificar esses sinais comportamentais pode ser tão importante quanto o monitoramento numérico. Muitas vezes, a irritabilidade surge antes mesmo de se fazer o teste de ponta de dedo.
A ciência explica a relação entre glicose alta e humor
Assim, a conexão entre glicose alta e humor possui explicação fisiológica. O cérebro humano depende exclusivamente de glicose para funcionar. Quando os níveis de açúcar no sangue variam drasticamente — seja para mais (hiperglicemia) ou para menos (hipoglicemia) —, o funcionamento cerebral é afetado.
Segundo a Associação Americana de Diabetes (ADA), as flutuações glicêmicas podem mimetizar sintomas de transtornos de humor. A hiperglicemia, especificamente, pode causar cansaço, dificuldade de concentração e irritabilidade. Além disso, o estresse de gerenciar uma condição crônica gera o chamado “Diabetes Distress” (estresse relacionado ao diabetes).
Estudos publicados na National Library of Medicine indicam que a hiperglicemia aguda afeta a cognição e o processamento de emoções. Portanto, o corpo, ao tentar lidar com o excesso de açúcar, entra em um estado inflamatório e de estresse oxidativo, o que pode influenciar neurotransmissores responsáveis pelo bem-estar, como a serotonina.
Dessa forma, a “culpa” não é da personalidade da pessoa, mas sim de uma reação bioquímica do organismo ao desequilíbrio metabólico.
Reação da comunidade online
O vídeo de Tom Bueno gerou identificação imediata entre seus seguidores. A seção de comentários tornou-se um espaço de desabafo e confirmação de que a alteração de humor é um sintoma comum.
A seguidora Marciria Rodrigues comentou: “Por aqui meu filho passa pela mesma coisa!!”. Já Denise relatou sintomas ainda mais intensos: “Eu fico ansiosa e sem paciência; fico nervosa, deprimida e irritada quando tenho hipo… DM não tem sossego nessa vida!”.
Outro seguidor, Victor Pereira, confirmou: “Irritadiço demais!! Heheheh”. Esses relatos reforçam que a glicose alta e humor instável caminham juntos, afetando tanto quem tem o diagnóstico quanto seus familiares.
Como lidar com as oscilações de humor
Reconhecer que a irritabilidade é um sintoma, e não uma falha de caráter, é o primeiro passo. Ao sentir uma mudança brusca de humor, o ideal é verificar a glicemia imediatamente.
Além disso, manter a hidratação e seguir o tratamento prescrito ajuda a evitar picos glicêmicos. O apoio psicológico também é fundamental para lidar com a carga emocional que o diabetes impõe. Entender essa dinâmica melhora a convivência familiar e o autoconhecimento.
Referência bibliográfica:
- Gonder-Frederick LA, et al. Mood changes associated with blood glucose fluctuations in insulin-dependent diabetes mellitus. Health Psychol. 1989. (Este é um estudo referência que confirma que a hiperglicemia está associada a menor energia e maior tensão e raiva).
