A relação entre o diabetes e a saúde cardiovascular exige cuidado redobrado. Assim, é sabido que essa condição eleva os riscos de problemas cardíacos, o que muitas vezes leva à necessidade de procedimentos cirúrgicos para desobstruir artérias. Agora, uma nova pesquisa traz informações valiosas para melhorar a recuperação do coração em quem tem diabetes após essas intervenções.
Cientistas da NYU Langone Health identificaram que a escolha do medicamento para afinar o sangue faz toda a diferença. Antes, os médicos achavam que duas opções comuns, o prasugrel e o ticagrelor, funcionavam da mesma forma. Contudo, os dados atuais mostram que o prasugrel pode ser muito mais seguro e eficaz para esse grupo de pacientes.
Prasugrel versus ticagrelor
Quando uma pessoa passa por uma desobstrução das artérias (procedimento onde se coloca o stent), ela precisa usar remédios para evitar a formação de coágulos. O estudo, chamado TUXEDO-2, comparou o desempenho dessas duas medicações potentes.
Os resultados surpreenderam a equipe médica. A hipótese inicial era que o ticagrelor seria igual ou melhor. No entanto, a análise provou que o prasugrel garantiu uma recuperação do coração em quem tem diabetes com menos complicações graves no primeiro ano após a cirurgia.
O Dr. Sripal Bangalore, autor principal do estudo e diretor de pesquisa na NYU Langone, explicou:
“Nossos resultados sugerem que o prasugrel pode ser a melhor escolha para pacientes com diabetes tipo 1 ou tipo 2. Os resultados foram inesperados, pois inicialmente levantamos a hipótese de que o ticagrelor seria igualmente eficaz.”
Essa distinção é crucial para médicos e pacientes buscarem o tratamento mais adequado.
O que os dados revelam
Para compreender a importância dessa descoberta, precisamos olhar para os números divulgados nas Sessões Científicas de 2025 da American Heart Association. O estudo monitorou 1.800 adultos na Índia.
Veja abaixo a comparação das taxas de complicações (como ataque cardíaco, derrame ou sangramento grave) entre os dois grupos após um ano:
- Complicações gerais: 14,23% para quem usou prasugrel contra 16,57% para quem usou ticagrelor.
- Ataques cardíacos: 5,21% no grupo prasugrel versus 5,96% no grupo ticagrelor.
- Sangramento grave: 7,14% com prasugrel comparado a 8,41% com ticagrelor.
- Mortalidade: 3,67% para usuários de prasugrel contra 5,03% para usuários de ticagrelor.
Além disso, o ticagrelor apresentou pior desempenho em pacientes que convivem com a condição há menos de cinco anos e naqueles com maior risco de sangramento.
Detalhes do estudo e recomendações
O ensaio clínico avaliou estratégias para tratar doenças complexas nas artérias. A maioria dos participantes eram homens (71%) com idade média de 60 anos, todos com diabetes tipo 1 ou tipo 2.
Durante o tratamento, todos receberam os dispositivos para manter as artérias abertas e, depois, iniciaram o uso de aspirina combinada com um dos medicamentos testados.
Segundo o Dr. Bangalore, não devemos mais ver essas drogas como iguais:
“Esses medicamentos são frequentemente considerados intercambiáveis, mas nossas descobertas sugerem diferenças importantes. Para indivíduos com diabetes tipo 1 ou tipo 2 e doença coronariana complexa, o prasugrel pode oferecer vantagens distintas sobre o ticagrelor.”
Portanto, personalizar a medicação é fundamental para o sucesso da recuperação do coração em quem tem diabetes. As diretrizes médicas atuais recomendam esse tipo de terapia combinada por pelo menos um ano após o procedimento, e este estudo ajuda a definir qual é a opção mais segura.
Limitações da pesquisa
Apesar dos resultados claros, o estudo tem limitações. Médicos e pacientes sabiam qual remédio estava sendo usado, o que pode influenciar percepções. Além disso, não houve um controle rígido sobre se os pacientes tomaram as pílulas exatamente como prescrito todos os dias.
Ainda assim, a pesquisa oferece um caminho promissor para a cardiologia. O acompanhamento desses pacientes continuará por cerca de cinco anos para confirmar os benefícios a longo prazo.
Fonte original: As informações baseiam-se no estudo apresentado nas Scientific Sessions 2025 da American Heart Association e publicadas pela NYU Langone News. Link para o original em inglês: Effectiveness of Anticlotting Medications After Stent Placement Varied in People with Diabetes.
