Muitas pessoas sabem que manter a saúde cardiovascular em dia é essencial para o controle do diabetes. No entanto, um novo alerta surge da comunidade científica sobre um tipo de insuficiência cardíaca específico que tem passado despercebido. Embora os médicos antigamente considerassem a insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (HFrEF) como a mais grave, novas evidências apontam para outra direção.
Atualmente, percebe-se que a insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada (HFpEF) é tão severa quanto a anterior. Nesse cenário, o músculo cardíaco se torna rígido e tem dificuldade para relaxar entre os batimentos. Consequentemente, há menos sangue sendo bombeado para o corpo. Entender esse tipo de insuficiência cardíaca é vital para garantir a longevidade e a qualidade de vida de quem tem a condição.
O que revela o estudo DIABET-IC
Pesquisadores na Espanha realizaram um acompanhamento detalhado de pessoas com diabetes ao longo de três anos. Os resultados desse trabalho, denominado estudo DIABET-IC, foram publicados no dia 3 de novembro de 2025 no renomado jornal científico Cardiovascular Diabetology.
A equipe, liderada por P. Gil-Millan e colaboradores, analisou dados de 1.517 pacientes em 58 centros espanhóis. Segundo os autores, “o HFpEF é o fenótipo de insuficiência cardíaca mais frequente na população com diabetes tipo 2, com desfechos comparáveis ao HFrEF, mas frequentemente subdiagnosticado e subtratado”.
Dessa forma, o estudo identificou que esse tipo de insuficiência cardíaca (HFpEF) era mais comum nessa população. Além disso, ele estava intimamente associado a outras complicações, como pressão alta, obesidade e doença renal.
Desafios no diagnóstico e tratamento
Um dos pontos mais alarmantes da pesquisa é a dificuldade de detecção. Apesar de ambos os tipos de falha cardíaca levarem a resultados similares em termos de gravidade, pessoas com HFpEF tinham menos chances de apresentar resultados positivos em exames de sangue tradicionais para insuficiência cardíaca.
Isso ocorre, muitas vezes, porque a obesidade pode mascarar os níveis dos biomarcadores usados no diagnóstico (como os peptídeos natriuréticos). Portanto, muitos pacientes acabam sem receber o tratamento adequado com medicamentos, diferentemente daqueles que possuem a fração de ejeção reduzida.
O estudo destaca ainda que, durante o acompanhamento, o HFpEF foi a forma predominante de novos casos de insuficiência cardíaca. Contudo, mais de 20% desses pacientes apresentavam níveis de exames abaixo dos limites de diagnóstico, o que reforça o risco do “falso negativo”.
A importância de novas diretrizes
Os pesquisadores enfatizam a urgência de melhorar as estratégias de rastreamento. O objetivo é garantir que diretrizes médicas tratem ambos os tipos com a mesma importância. Assim, mais pessoas com doenças cardíacas relacionadas ao diabetes poderão receber o tratamento que necessitam.
Além disso, o estudo aponta para a necessidade de uma adoção mais ampla de terapias baseadas em evidências. Medicamentos modernos, como os inibidores de SGLT2, mostram-se promissores para fechar essa lacuna no tratamento e proteger o coração de quem convive com o diabetes.
Fonte original e referência: A matéria foi baseada no estudo “HFpEF as the predominant and underrecognized heart failure phenotype in type 2 diabetes: evidence from the DIABET-IC study”, publicado em Cardiovascular Diabetology em 03 de novembro de 2025. Link para o estudo completo: Clique aqui