A adolescência é uma fase de descobertas e intensidade, mas, para quem convive com o diabetes tipo 1, ela traz desafios adicionais relacionados ao controle da glicemia. Nesse contexto, o acesso à tecnologia pode ser um verdadeiro divisor de águas. O jornalista Tom Bueno, na série “Todos Pelo Diabetes”, foi conferir de perto como a distribuição do sensor de glicose FreeStyle Libre, de forma gratuita, em Valença, no Rio de Janeiro, está devolvendo a leveza e a segurança para a rotina de dezenas de famílias.
Atualmente, o programa municipal beneficia pacientes entre 4 e 19 anos que necessitam de múltiplas medições diárias de insulina. Segundo Gabriel, coordenador médico da Secretaria de Saúde, o protocolo visa atender quem precisa de um “ajuste fino” no tratamento. Dessa forma, a tecnologia substitui as dolorosas picadas nos dedos por um monitoramento contínuo e indolor.
Mais confiança e menos restrições
Bárbara, de 13 anos, é o rosto dessa transformação. Diagnosticada com a condição aos 10 anos, a adolescente conta que sua vida mudou radicalmente desde março de 2025, quando recebeu o dispositivo. “A liberdade de comer as coisas… Sempre precisava furar o dedo toda hora para ficar medindo”, relata Bárbara.
Além disso, a jovem destaca que se sente segura para praticar vôlei, futebol e até tocar instrumentos musicais. Com o sensor de glicose gratuito, ela consegue tomar decisões rápidas e assertivas. Por exemplo, ao receber a oferta de um doce na escola, Bárbara verifica a seta de tendência na hora. “Me ofereceram um pirulito, eu fui lá medir, estava normal… aí eu aplico insulina… e como normal”, explica ela, demonstrando uma autonomia que antes não possuía.
Segurança para a família e precisão médica
A tranquilidade não se restringe apenas aos pacientes. Para as mães, poder acompanhar a glicemia dos filhos à distância é um alívio imensurável. A mãe de Bárbara descreve a emoção de saber que a filha está bem, mesmo longe de casa. “Eu vibrei de alegria porque era uma coisa que eu já estava esperando há muito tempo… Ela se sentindo segura faz com que eu me sinta segura em casa”, afirma.

Por outro lado, a equipe médica também celebra os avanços. A endocrinologista Caroline, que atende os pacientes do programa, ressalta que a adesão ao tratamento melhorou significativamente. “O paciente consegue detectar alguns alimentos que para ele pode fazer um pico de glicemia… que ele não imaginava”, observa a médica.
Consequentemente, os ajustes nas doses de insulina, tanto basal quanto bolus, tornam-se mais precisos. Portanto, iniciativas como a de Valença provam que o sensor de glicose gratuito é mais do que um aparelho; é uma ferramenta de inclusão e qualidade de vida.
