O medo da dor, bem como o desconforto das constantes picadas nos dedos, são barreiras reais que afetam o tratamento de quem convive com o diabetes. De fato, essa era a realidade de José Vicente, de 50 anos, até que o acesso a uma nova tecnologia transformou completamente sua rotina. Assim, em uma reportagem sensível para a série “Todos Pelo Diabetes”, o jornalista Tom Bueno mostra como o sensor de glicose está resgatando a dignidade e a saúde de pacientes em Ilhabela, no litoral de São Paulo.
Nesse sentido, o município implementou um programa exemplar que distribui gratuitamente o sensor FreeStyle Libre. A iniciativa, iniciada em dezembro de 2024, atende pessoas com diabetes tipo 1. Além disso, numa fase mais recente, o projeto incluiu pacientes com diabetes tipo 2 que possuem comorbidades, visto que necessitam de um acompanhamento rigoroso.
Superando o medo e prevenindo complicações
Inicialmente, para José Vicente, que convive com o diabetes tipo 2 há duas décadas, a tecnologia chegou para salvar sua vida. Infelizmente, o medo das agulhas era tão grande que o levou a negligenciar o tratamento, o que resultou na amputação de uma perna. “Dava até desgosto, porque você só em estar furando o dedo quase todos os minutos… aquilo era uma tristeza. Aí eu largava de mão”, desabafa José na entrevista.
Atualmente, no entanto, a realidade é oposta. Com o sensor de glicose, ele monitora seus níveis de açúcar o tempo todo, sem dor e com precisão. “O sensor mudou muito a minha vida… porque eu tenho base de tudo”, celebra ele. Logo, a história de José ilustra como a facilidade no monitoramento é crucial para evitar que outros pacientes sofram complicações severas decorrentes do descontrole glicêmico.
Noites de sono e melhor aprendizado
Por outro lado, a transformação também chegou para as crianças. Isabela, de 9 anos, diagnosticada com diabetes tipo 1 há cinco anos, enfrentava interrupções no sono e dificuldades na escola devido às hipoglicemias e às picadas noturnas. “Antes ela furava meus dedinhos e eu acordava”, conta a menina.
Agora, contudo, a mãe de Isabela consegue medir a glicose da filha durante a noite apenas aproximando o leitor do sensor, sem acordá-la. Consequentemente, isso refletiu diretamente no desempenho escolar e no bem-estar da família. “Agora ela não tem mais preocupação… Atrapalhava o sono dela e ela não tinha mais disponibilidade de conforto dentro da sala de aula”, relata a mãe, aliviada com a nova rotina.

Decisões médicas mais precisas
Além do impacto humano, o programa traz benefícios clínicos inegáveis. Por exemplo, o médico de família Thiago, ouvido por Tom Bueno, explica que ter acesso aos gráficos gerados pelo sensor de glicose permite condutas médicas mais assertivas. “Com o sensor, a gente consegue ter informações de qualidade confiáveis… ter melhores controles e melhores resultados”, afirma o doutor.
Da mesma forma, Antônio, outro beneficiado pelo programa, reforça essa visão. Para ele, o dispositivo é um parceiro diário que ajuda a evitar tanto a hipoglicemia na academia quanto picos de glicose. Dessa maneira, garante-se uma vida ativa e segura. Exemplos como o de Ilhabela provam que investir em tecnologia é, acima de tudo, investir na vida das pessoas.
