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    Início » Após 60 anos, cientistas descobrem que medicamento para o diabetes afeta o cérebro inesperadamente
    Ciência

    Após 60 anos, cientistas descobrem que medicamento para o diabetes afeta o cérebro inesperadamente

    Daniel Mastroianni25 de novembro de 2025Nenhum comentário3 Mins Read
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    Pesquisadores identificaram que o hipotálamo é crucial para a ação da metformina.
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    A metformina é prescrita para quem tem diabetes tipo 2 há mais de seis décadas, sendo fundamental para o controle da glicemia. No entanto, os cientistas nunca tiveram certeza absoluta sobre todos os seus mecanismos de funcionamento. Recentemente, um estudo trouxe uma revelação surpreendente: este medicamento para o diabetes afeta o cérebro diretamente, o que pode abrir portas para novos tipos de tratamento.

    Pesquisadores da Baylor College of Medicine, nos Estados Unidos, identificaram uma via cerebral através da qual a droga parece atuar. Isso ocorre em adição aos efeitos já conhecidos nos processos biológicos de outras áreas do corpo. Até então, aceitava-se amplamente que a metformina reduzia a glicose sanguínea diminuindo sua produção no fígado. Além disso, outros estudos indicavam uma ação através do intestino. Contudo, as novas evidências apontam para o sistema nervoso central.

    Makoto Fukuda, fisiopatologista da Baylor, explica a abordagem da equipe: “Investigamos se e como o cérebro contribui para os efeitos antidiabéticos da metformina, já que olhamos para o cérebro por ser amplamente reconhecido como um regulador chave do metabolismo da glicose no corpo todo”.

    O papel da proteína Rap1

    Trabalhos anteriores de alguns desses mesmos pesquisadores já haviam identificado uma proteína no cérebro chamada Rap1. Essa proteína impacta o metabolismo da glicose, particularmente em uma parte do cérebro chamada hipotálamo ventromedial (VMH). No estudo de 2025, testes em camundongos mostraram que a metformina viaja até o VMH. Lá, ela auxilia no combate à condição essencialmente “desligando” a Rap1.

    Dessa forma, os cientistas confirmaram que o medicamento para o diabetes afeta o cérebro através de um mecanismo distinto. Quando os pesquisadores criaram camundongos sem a Rap1, a metformina não teve impacto na condição semelhante ao diabetes, mesmo que outras drogas tenham funcionado. Isso serve como uma forte evidência da atuação central do fármaco.

    Neurônios e novas perspectivas

    A equipe também conseguiu observar de perto os neurônios específicos cuja atividade a metformina alterava. Futuramente, isso poderia levar a tratamentos mais direcionados que mirem especificamente nessas células. Fukuda detalha: “Também investigamos quais células no VMH estavam envolvidas na mediação dos efeitos da metformina. Descobrimos que os neurônios SF1 são ativados quando a metformina é introduzida no cérebro, sugerindo que estão diretamente envolvidos na ação do medicamento”.

    Atualmente, sabe-se que a metformina é segura, duradoura e relativamente acessível. Ela funciona reduzindo a glicose produzida pelo fígado e aumentando a eficiência do corpo no uso da insulina. Agora, sabemos que muito provavelmente ela atua também através do sistema nervoso.

    Portanto, entender como esse medicamento para o diabetes afeta o cérebro muda a visão sobre o tratamento. “Essa descoberta muda como pensamos sobre a metformina”, diz Fukuda. “Não está agindo apenas no fígado ou no intestino, está agindo também no cérebro. Descobrimos que, enquanto o fígado e os intestinos precisam de altas concentrações do medicamento para responder, o cérebro reage a níveis muito mais baixos”.

    A pesquisa foi publicada originalmente na revista científica Science Advances e pode ser conferida no link original do estudo [Science Advances].

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    Daniel Mastroianni
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    Advogado e Jornalista - Advogado apaixonado por Comunicação, fez do Jornalismo também profissão. Natural de Araraquara-SP, Daniel tem mais de 20 anos de atuação no meio jurídico e 10 anos de experiência como jornalista. Pós-graduado em Gestão e Comunicação em Jornalismo pela Universidade Metodista de São Paulo, dedicou boa parte de sua carreira à televisão, em emissoras como a Record News, e colaborou com inúmeros veículos de imprensa escrita na produção de artigos e conteúdo que unem rigor técnico e linguagem clara. No Um Diabético, é responsável por matérias de interesse especial para as pessoas que convivem com o diabetes. Sua missão é trazer informação de qualidade e conhecimento útil que fortaleçam o leitor, mostrando que é possível, sim, viver de forma satisfatória e com bem-estar, mesmo diante dos desafios impostos pela doença.

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