A prevalência global do diabetes continua a subir, afetando cerca de 537 milhões de adultos. O diabetes tipo 2 (T2DM) representa 95% dos casos , e a resistência à insulina (RI) é o seu mecanismo central. Por isso, avaliar a RI de forma precisa é essencial para intervenções precoces.
Dois indicadores de exames de sangue simples, o Índice Triglicerídeo-Glicose (TyG) e a Taxa de Eliminação de Glicose Estimada (eGDR), ganharam destaque na avaliação da resistência à insulina. O TyG usa níveis de triglicerídeos e glicose em jejum. Por sua vez, o eGDR inclui parâmetros como pressão arterial, IMC e hemoglobina glicada (HbA1c).
Recentemente, uma pesquisa de grande escala, publicada na revista Scientific Reports, investigou o poder preditivo desses indicadores, focando na importância da idade. O estudo utilizou dados da população americana (NHANES) e comparou adultos jovens (menos de 65 anos) com adultos mais velhos (iguais ou maiores que 65 anos).
A dupla TyG e eGDR é mais precisa para prever o T2DM
A pesquisa confirmou que o TyG (níveis altos) e o eGDR (níveis baixos) estão, isoladamente, associados ao risco de desenvolver o T2DM em todas as idades.
No entanto, a união de TyG alto e eGDR baixo foi associada ao risco mais alto de diabetes tipo 2. De fato, a avaliação combinada dos índices (TyG-eGDR) demonstrou um desempenho superior para prever o diabetes tipo 2 do que usar qualquer um deles isoladamente. Além disso, essa precisão combinada foi ainda mais notável em adultos jovens. Claramente, isso reforça que a combinação TyG-eGDR é crucial para o risco do diabetes em jovens, mesmo na fase de desenvolvimento da condição.
Risco de morte ligado ao metabolismo dispara em quem tem diabetes jovem
A previsão de mortalidade por qualquer causa mostrou uma diferença acentuada dependendo da idade.
No grupo mais jovem (menos de 65 anos):
- O risco de mortalidade associado ao TyG e ao eGDR foi estatisticamente significativo.
- O TyG exibiu uma relação em forma de “U” com a mortalidade.
- A combinação de TyG alto e eGDR baixo demonstrou o risco mais alto de mortalidade.
Nos adultos mais velhos (iguais ou maiores que 65 anos):
- Os índices TyG e eGDR, sozinhos ou combinados, não tiveram uma associação significativa com o risco de morte.
A diferença acontece porque o risco de morte em quem tem diabetes jovem é mais diretamente influenciado por anormalidades metabólicas graves. Consequentemente, o TyG e o eGDR funcionam como um alarme urgente para essa vulnerabilidade metabólica. Em contrapartida, nos idosos, o risco de morte é mais complexo, pois fatores como multimorbidade e fragilidade assumem o controle. Por conseguinte, isso reduz o poder de previsão dos indicadores puramente metabólicos.
A combinação TyG-eGDR é crucial para o risco do diabetes em jovens
Os resultados estabelecem que a combinação TyG-eGDR é crucial para o risco do diabetes em jovens, pois ela identifica a alta vulnerabilidade metabólica que, nesta população, está por trás do risco de morte. O estudo, que analisou a população americana, reforça a necessidade urgente de que os médicos usem estratégias de avaliação de risco que considerem a idade, direcionando uma intervenção mais intensiva para os mais jovens.
“Estes achados destacam a importância da análise estratificada por idade em pesquisas futuras para avaliar com mais precisão a utilidade clínica de biomarcadores metabólicos combinados”, concluem os autores.
Fontes do estudo
O estudo, intitulado “Age Stratified Analyses of TyG Index eGDR and Additive Effects on T2DM Outcomes in Prevalence and Mortality” , foi publicado na revista Scientific Reports.
Data da publicação online: 03 de novembro de 2025.
Autores: Xueyan Li, Jiwei Lin, Desheng Wang, Lei Su, Jialin He, Shaofeng Wei & Xueyun Li.
Origem dos dados: National Health and Nutrition Examination Survey (NHANES) dos Estados Unidos.
