Receber um diagnóstico de uma condição crônica como o diabetes é muito mais do que uma notícia clínica; de fato, é um evento que abala a saúde emocional. O luto do diagnóstico do diabetes, um processo que envolve medo, raiva, negação e, eventualmente, aceitação, foi um dos temas centrais do DiabetesCast. Além disso, no episódio especial do Dia Mundial do Diabetes, o apresentador e jornalista Tom Bueno e a advogada Elo Malieri, que convivem com o diabetes, compartilharam suas experiências emocionais, que muitas vezes são deixadas de lado no consultório.
Tom Bueno: “cinco anos de negação”
Tom Bueno, diagnosticado aos 20 anos, foi muito franco sobre seu processo. Em primeiro lugar, ele revelou que levou cinco anos para chegar à fase de aceitação. A notícia, segundo ele, foi devastadora, principalmente pela falta de informação e pelo estigma associado à condição.
“Quando eu recebi o diagnóstico, parecia que aquilo era uma sentença pra minha vida, que eu não tinha muito tempo mais de vida”, confessou o jornalista. Portanto, ele descreveu um ciclo que é comum a muitas pessoas: o medo inicial, seguido pela raiva e, depois, pela “negligência”. “Eu fiquei muito assustado […] depois teve aquele momento de raiva, depois teve o momento de negligência mesmo, de não querer falar sobre o diabetes e nem cuidar”, disse.
No entanto, para Tom, a virada de chave só aconteceu através do conhecimento. “Foi a partir da educação em diabetes que eu consegui olhar para o diabetes e para mim”, afirmou, ressaltando que o autocuidado só é possível após o entendimento.
Elo Malieri: o choque tardio
Para Elo Malieri, diagnosticada aos 10 anos, a experiência foi diferente, mas igualmente marcante. Ela conta que, na infância, não sentiu o impacto. “Eu falo que a inocência da infância me trouxe um pouco dessa visão. De nada aconteceu”, recordou.
Contudo, o verdadeiro luto do diagnóstico do diabetes veio anos depois, aos 17. Isso porque o gatilho foi um evento social simples: uma campanha de doação de sangue na faculdade. “Lá fui eu, bonitinha, né? Aí a moça falou, ‘infelizmente, você não pode’. Só que ela não me explicou”, contou.
A partir desse momento, aquele episódio de exclusão, sem explicação, foi o que a fez entender a profundidade da sua condição. “Eu lembro que naquele dia eu saí acabada […] e aí eu comecei a pesquisar sobre o diabetes tipo 1. E aí eu comecei a entender mais. […] Ali foi um divisor de águas que eu entendi o que era diabetes. Ela não era uma companhia temporária”.
A educação salva: buscando apoio
O luto do diagnóstico do diabetes é uma experiência profunda. Contudo, a chave para superá-lo é transformar o medo em conhecimento, como Tom Bueno e Elo Malieri demonstraram. Além disso, é fundamental entender que essa condição não precisa ser enfrentada sozinho.
Em primeiro lugar, a recomendação de especialistas é sempre procurar a educação em diabetes, que oferece ferramentas práticas para o dia a dia. No entanto, se a raiva, o medo e a negação persistirem por muito tempo, então buscar ajuda de um profissional de saúde mental, como um psicólogo ou psiquiatra, torna-se imprescindível. Afinal, aceitar o diagnóstico é o primeiro passo para o autocuidado. Assim, não hesite em procurar a rede de apoio adequada para viver com mais leveza.
