A tecnologia revolucionou o tratamento do diabetes. Isso ficou evidente no DiabetesCast especial, onde Dona Carmen Wills, de 94 anos, afirmou que o sensor de glicose “mudou o controle completamente”. No entanto, o episódio também expôs uma dura realidade: o custo do tratamento do diabetes é, e sempre foi, uma barreira no Brasil.
Enquanto os convidados celebravam as inovações, a endocrinologista Dra. Denise Franco trouxe memórias de um passado não muito distante, que reflete o desafio do acesso.
A memória do improviso
Antes dos sensores, o monitoramento dependia das fitas de glicemia (ponta de dedo). Dra. Denise lembrou que, para muitos pacientes no sistema público, o preço era proibitivo. A solução era o improviso.
“As pessoas cortavam [a fita] menos pequenininha para colocar no xixi, então sempre acabava molhando o dedo”, lembrou ela sobre as fitas de urina. A situação não melhorou muito com as fitas de sangue: “Mas mesmo a fita de glicose […] o pessoal cortava no meio, porque era muito cara. Então, era a forma do acesso”.
Essa história choca, mas ilustra perfeitamente a luta histórica pelo acesso ao tratamento básico. O paciente precisava “cortar no meio” para fazer o dobro de medições com a mesma caixa.
O desafio do acesso hoje
O cenário mudou, mas o problema central persiste. O jornalista Tom Bueno, apresentador do DiabetesCast, utilizou o espaço do programa para anunciar um programa de fidelidade do sensor de glicose FreeStyle Libre, o “My Freestyle“. Esse programa oferece descontos e sensores gratuitos após o acúmulo de pontos.
A existência de tais programas, embora benéfica para o usuário, serve como um “gancho” para evidenciar a questão: se o custo do tratamento do diabetes não fosse tão elevado, programas de desconto não seriam tão necessários.
A tecnologia, como o sensor de glicose, permite que a pessoa que tem diabetes evite hipoglicemias severas e ajuste a insulina com precisão. No entanto, enquanto essa inovação não for acessível a todos, seja pelo SUS ou por preços mais baixos, a desigualdade no tratamento continuará, assim como na época em que as fitas eram cortadas ao meio.
