Existe um estigma que ronda quem tem diabetes tipo 2. Muitas vezes, a condição é resumida a uma falha pessoal, uma consequência direta de “comer mal” ou “ser sedentário”. No entanto, a genética do diabetes tipo 2 desempenha um papel fundamental e muitas vezes determinante.
Esse foi um ponto importante discutido no DiabetesCast, entre o jornalista Tom Bueno e os endocrinologistas Dr. Fernando Valente e Dra. Denise Franco, que buscaram quebrar esse estigma.
O peso da genética vs hábitos
O Dr. Fernando Valente foi direto ao ponto ao desafiar o senso comum. “Tem gente que tem o mesmo hábito de vida e não vai desenvolver diabetes tipo 2, porque tem também outros fatores importantes”, afirmou.
Os hábitos de vida, claro, são importantes e podem acelerar ou retardar o aparecimento da condição, mas eles não são os únicos fatores. A Dra. Denise Franco complementou, mencionando riscos que fogem ao controle individual, como a mãe ter tido diabetes gestacional, o que aumenta o risco de o filho desenvolver obesidade e diabetes na vida adulta.
O fator da gordura visceral
O Dr. Valente também explicou que nem toda obesidade é igual, e isso está ligado à genética do diabetes tipo 2. O local onde a gordura se acumula é mais importante que o peso na balança.
“Uma pessoa pode ter obesidade, mas depositando a gordura na região do quadril e das coxas, que é uma gordura que não é ruim quanto uma gordura na região abdominal”, explicou. Uma pessoa com peso considerado normal (IMC normal), mas com acúmulo de gordura visceral (abdominal), pode ter um risco metabólico muito maior.
Quebrando o estigma para tratar melhor
O jornalista Tom Bueno, que tem diabetes tipo 1, mencionou como às vezes existe uma tentativa de “se diferenciar” do tipo 2, o que reforça o estigma. A Dra. Denise concordou que esse estigma é prejudicial. “As pessoas com diabetes tipo 2, às vezes elas ficam tão acuadas de assumir isso… que elas às vezes nem procuram a ajuda que precisaria”.
Reconhecer a obesidade como uma condição crônica e entender o peso da genética do diabetes tipo 2 é fundamental para um tratamento mais eficaz e menos culposo, focando na saúde integral e não apenas na balança.
