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    Início » O elo inesperado: porque a perda auditiva é uma complicação séria do diabetes tipo 2
    Complicações

    O elo inesperado: porque a perda auditiva é uma complicação séria do diabetes tipo 2

    Daniel Mastroianni20 de novembro de 2025Updated:20 de novembro de 2025Nenhum comentário5 Mins Read
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    A glicemia alta danifica os microvasos da cóclea, comprometendo a capacidade auditiva.
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    O controle adequado do nível de glicose no sangue é fundamental para evitar as complicações mais conhecidas associadas ao diabetes. Todos conhecem os riscos de cegueira (retinopatia), amputações e danos ao coração e aos rins. Contudo, pesquisadores espanhóis trouxeram à luz uma consequência que, muitas vezes, passa despercebida: a perda auditiva é uma complicação séria do diabetes tipo 2.

    A nova evidência reforça a necessidade de um cuidado integral para quem tem diabetes. O estudo, uma meta-análise robusta, confirmou a forte associação entre a condição e o risco de prejuízos na audição. Portanto, a atenção à saúde auditiva deve ser redobrada.

    A ciência confirma a nova complicação

    No levantamento, os pesquisadores do Hospital Clínic e da Universitat de Barcelona analisaram 17 estudos focados na saúde auditiva de quem tem diabetes. O trabalho foi publicado no renomado periódico Otolaryngology–Head and Neck Surgery. Este jornal é a publicação oficial da American Academy of Otolaryngology–Head and Neck Surgery Foundation. Os dados analisados cobriram um total de 3.910 indivíduos com o quadro e 4.084 do grupo controle (pessoas sem o quadro).

    Os resultados encontrados são alarmantes. Em quem vive com o tipo 2 da condição, a prevalência de impactos na audição varia entre 40,6% e 71,9%. O risco de desenvolver perda auditiva é, portanto, 4,19 vezes maior na comparação de quem tem diabetes com o grupo que não tem. Este resultado, inclusive, é mais pronunciado do que o relatado em outros estudos anteriores, segundo os próprios autores. Além disso, o achado pode motivar a ampliação da triagem de pacientes em busca de um cuidado completo.

    O que explica a perda auditiva

    A ciência já sabe que a glicemia elevada por longos períodos provoca danos nas estruturas microvasculares. Essa é a base para complicações já difundidas, como os problemas na retina e a neuropatia periférica (sensação de formigamento nas mãos e pés).

    No estudo analisado, os especialistas constataram que essa mesma alteração microcirculatória ocorre na cóclea, a estrutura interna do ouvido responsável pela nossa audição. Essa estrutura delicada é altamente sensível à irrigação sanguínea. A hiperglicemia, ou a falta de controle do açúcar no sangue, danifica os vasos que nutrem a cóclea, comprometendo, assim, sua função e, consequentemente, a capacidade de ouvir.

    Tempo e descontrole: fatores de risco aumentados

    A duração do diabetes e a falta de controle glicêmico emergiram como os principais fatores que intensificam este risco. Ou seja, a perda auditiva é uma complicação séria do diabetes tipo 2, mas ela piora com o tempo e a negligência.

    O estudo apontou que indivíduos que vivem há mais de dez anos com o quadro apresentaram um risco 2,07 vezes maior de desenvolver a complicação auditiva em comparação com aqueles com menor tempo de diagnóstico.

    Ademais, a descompensação do diabetes está ligada a episódios mais graves de surdez. Pessoas com perda auditiva moderada a profunda tinham índices médios de hemoglobina glicada (HbA1c) mais elevados do que o grupo de controle. Isso significa que não seguir as recomendações médicas e o tratamento indicado pode, de fato, comprometer a saúde auditiva. De acordo com os pesquisadores, “o agravamento de uma perda auditiva preexistente, o surgimento de nova perda auditiva ou a presença de outras doenças microvasculares em pacientes com diabetes podem motivar o início ou a intensificação do controle do diabetes para prevenir a deterioração da função auditiva”.

    A importância da triagem e do cuidado integral

    Em um cenário global onde 589 milhões de adultos vivem com o diabetes, conforme o Atlas da Federação Internacional de Diabetes (IDF), este estudo tem um impacto prático enorme. Ele serve como um alerta não apenas para os pacientes, mas também para os profissionais de saúde. A perda auditiva é uma complicação séria do diabetes tipo 2 que precisa ser ativamente rastreada.

    Portanto, a sugestão é clara: quem tem diabetes deve incluir exames auditivos de rotina, como a audiometria, em sua lista de check-ups. Afinal, a prevenção e a detecção precoce são as melhores ferramentas para garantir qualidade de vida. O cuidado integral do diabetes não se resume apenas ao coração e aos rins, mas a todo o corpo.

    Tom Bueno fala sobre o tema em nosso canal no Youtube

    Em nosso canal no Youtube, o jornalista Tom Bueno, que vive com o quadro, trouxe um vídeo essencial sobre o tema: afinal, o diabetes pode causar surdez?

    Assim como o estudo internacional publicado no Otolaryngology–Head and Neck Surgery, o Tom Bueno reforça a ligação entre o descontrole da glicemia e a saúde auditiva. Ele explica que as oscilações glicêmicas podem afetar a audição, causando o incômodo zumbido no ouvido , que é um sinal de que o organismo precisa de ajuda e que a saúde auditiva deve ser avaliada.

    Ele ainda destaca que, embora exista um caso genético mais raro (a Síndrome de Wolfram) , a prevenção para a perda auditiva causada pelo diabetes é a mesma que vale para outras complicações: manter um bom controle do diabetes.

    Para entender melhor essa relação e conferir as dicas práticas sobre o tema, assista ao vídeo completo em nosso canal:

    EXISTE RELAÇÃO ENTRE DIABETES E SURDEZ? | Tom Bueno
    Audição complicações do diabetes Destaque Home diabetes tipo 2 glicemia glicose Perda auditiva Pesquisa científica retinopatia saude saúde
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    Daniel Mastroianni
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    Advogado e Jornalista - Advogado apaixonado por Comunicação, fez do Jornalismo também profissão. Natural de Araraquara-SP, Daniel tem mais de 20 anos de atuação no meio jurídico e 10 anos de experiência como jornalista. Pós-graduado em Gestão e Comunicação em Jornalismo pela Universidade Metodista de São Paulo, dedicou boa parte de sua carreira à televisão, em emissoras como a Record News, e colaborou com inúmeros veículos de imprensa escrita na produção de artigos e conteúdo que unem rigor técnico e linguagem clara. No Um Diabético, é responsável por matérias de interesse especial para as pessoas que convivem com o diabetes. Sua missão é trazer informação de qualidade e conhecimento útil que fortaleçam o leitor, mostrando que é possível, sim, viver de forma satisfatória e com bem-estar, mesmo diante dos desafios impostos pela doença.

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