Quando a glicose está alta, a primeira reação é culpar o carboidrato. No entanto, no DiabetesCast, os endocrinologistas Dra. Denise Franco e Dr. Fernando Valente destacaram que os cuidados com o diabetes e medicação de outras condições são fatores cruciais e muitas vezes negligenciados.
Assim, o jornalista Tom Bueno conduziu a conversa, que revelou como a postura do paciente ao usar fármacos, mesmo os mais simples, pode impactar diretamente o tratamento do diabetes.
1. O perigo da automedicação
No Brasil, é fácil comprar certos medicamentos sem receita, como alguns corticoides (ex: prednisona). O Dr. Fernando Valente alertou para o risco de pegar uma orientação antiga e repeti-la. “Aquilo que eu tomei foi bom, então deixa eu tomar de novo… [mas] você corre o risco de tomar um remédio que antes não tinha problema nenhum porque não tinha diabetes e agora a gente tem um problema”.
A Dra. Denise Franco citou até o uso sem prescrição de análogos de GLP-1 (usados para emagrecer), que podem levar a quadros graves de hipoglicemia ou cetoacidose em quem não tem acompanhamento adequado.
2. Seja o porta-voz do seu diabetes
Você chegou no pronto-socorro com dor de garganta. O médico, que precisa atender 100 pessoas em 12 horas, prescreve um corticoide. Ele pode esquecer de perguntar, ou você de falar.
A Dra. Denise Franco enfatiza a importância de o paciente ser ativo. “É muito importante levar a informação de que a pessoa que tem diabetes tem que tomar cuidado quando vai tomar uma medicação nova”. O Dr. Valente complementa: “Informação é importante para que a gente tome a decisão correta”.
3. Leia o rótulo: o açúcar escondido
Às vezes, o problema não é o princípio ativo, mas o que vem junto. O Dr. Fernando Valente deu um exemplo clássico: o xarope. “E aí o xarope tem adição de açúcar… E aí tem uma hiperglicemia… e a pessoa: ‘mas da onde vem isso?’”.
Esse açúcar “escondido” se soma à própria inflamação da gripe ou infecção, que já eleva a glicose, criando uma tempestade perfeita para a hiperglicemia.
4. Monitore, monitore e monitore
Se um novo medicamento (com ou sem receita) foi iniciado, a regra de ouro é aumentar a vigilância. Os cuidados com o diabetes e medicação andam juntos. A Dra. Denise Franco resumiu: “Ficar atento na monitorização. Estou pensando em uma coisa importante aqui também, que às vezes não é nem o remédio em si, mas o que vem junto com o remédio”.
Aumentar as medições de glicose ajudará você e seu médico a entenderem o impacto do novo fármaco e a ajustar as doses do tratamento do diabetes, se necessário.
