O diabetes tipo 1, focado no especial DiabetesCast, representa cerca de 10% dos casos. Mas e os outros 90%? A conversa no podcast, que contou com o jornalista Tom Bueno e a endocrinologista Dra. Denise Franco, também abordou a complexa relação entre o diabetes tipo 2 e obesidade, tratando-a como um grave problema de saúde pública.
Assim, durante muito tempo, o diabetes tipo 2 foi visto como uma condição de “culpa” do indivíduo. No entanto, os especialistas presentes desmistificaram essa visão, apontando fatores genéticos, sociais e econômicos que tornam essa uma crise de saúde coletiva.
A ligação científica
A Dra. Denise Franco foi direta ao ponto: “90% das pessoas que têm diabetes tipo 2 convivem com obesidade também”. Ela explicou que o aumento da obesidade na população, inclusive infantil, é o principal motor do aumento dos casos de diabetes tipo 2.
A médica explicou que a genética tem um papel fundamental. “Eu tenho um avô, avó, pai, mãe que têm diabetes tipo 2. Eu já tenho uma carga genética”, disse. O estilo de vida moderno, com sedentarismo e acesso a alimentos ultraprocessados, atua como um gatilho para quem já tem essa predisposição. A Dra. Denise alertou para a obesidade infantil: “Se eu não tomar conta de quem tem obesidade infantil, eu vou ter um problema maior no futuro”.
Quando a escolha é um privilégio
O jornalista Tom Bueno complementou a visão médica com a realidade social. Ele criticou a narrativa simplista de que “basta comer melhor”, apontando que a má alimentação muitas vezes não é uma escolha, mas a única opção.
Ele citou um exemplo contundente que ouviu de uma seguidora: “Olha, adoraria ter a possibilidade de comer melhor. O meu dinheiro dá pra uma coxinha e uma Coca-Cola normal pra que me sustente o dia todo de trabalho”.
Essa fala expõe o centro do problema: o diabetes tipo 2 e obesidade não podem ser tratados apenas com conselhos de “força de vontade”. A condição está profundamente ligada à desigualdade social, ao preço dos alimentos saudáveis e à falta de tempo e recursos da população mais pobre para praticar atividades físicas ou cozinhar.
A discussão no DiabetesCast conclui que, para frear o avanço do diabetes tipo 2, é preciso menos julgamento individual e mais políticas públicas de saúde, prevenção à obesidade e combate à desigualdade.
