O DiabetesCast, apresentado pelo jornalista Tom Bueno, promoveu um encontro histórico no Dia Mundial do Diabetes, comemorado na última sexta-feira (14/11/2025). O episódio especial reuniu três gerações que vivem com diabetes tipo 1: Dona Carmen Wills (94 anos, 75 de diagnóstico), Elo Malieri (40 anos de diagnóstico) e o próprio Tom (diagnosticado há mais de 20 anos).
Assim, a conversa revelou a incrível evolução do tratamento do diabetes nas últimas décadas. A jornada vai desde um diagnóstico baseado no “instinto” e exames de urina que demoravam dias, até a era dos sensores de glicose que mostram o resultado na tela do celular em tempo real.
A era da sobrevivência: 75 anos atrás
Dona Carmen Wills, hoje com 94 anos, convive com o diabetes tipo 1 há 75. Quando recebeu seu diagnóstico, a realidade era assustadora, pois os recursos eram praticamente inexistentes. “Eu achava que era só uma meia dúzia [de pessoas com diabetes] no Brasil inteiro”, relembrou ela durante o podcast.
Naquela época, o monitoramento era um desafio inimaginável hoje. Ela contou que dependia de exames de urina cujos resultados laboratoriais demoravam dias. “Eu tinha menos recursos, só sabia fazer o exame de urina, que dava o resultado de glicemia da véspera, provavelmente […] levava quatro dias para dar o resultado”, disse Dona Carmen.
Além disso, a hipoglicemia era um risco constante e solitário. Sem medidores rápidos, a sobrevivência dependia da sensação corporal. “Eu sentia e percebia que estava sendo a hipoglicemia”, contou ela, que aprendeu a sempre levar um “docinho”.
Os anos 80 e a ‘polícia da comida’
Avançando algumas décadas, Elo Malieri, diagnosticada em 1985, aos 10 anos, compartilhou uma realidade que, embora melhor, ainda era repleta de restrições severas. A medição saía do laboratório e ia para casa, mas ainda pela urina, com a “glicofita”, uma tira que mudava de cor.
A alimentação era a principal fonte de controle e, consequentemente, de culpa. Elo lembrou das dificuldades da família em uma época sem opções diet e com regras rígidas. “Lembrei disso agora, porque não mudava mesmo a dose [de insulina]. Na verdade, a gente que adaptava a alimentação, a dose da insulina”, contou. Ela recordou uma dieta restrita que incluía “um quarto de pão de forma” e o trauma do “pode ou não pode”.
A virada da tecnologia e educação
O próprio jornalista Tom Bueno, diagnosticado aos 20 anos, representa uma terceira fase. Apesar de já existirem glicosímetros (medidores de ponta de dedo), o medo e a desinformação ainda eram barreiras imensas. Ele confessou ter passado cinco anos em negação. “Quando eu recebi o diagnóstico, parecia que aquilo era uma sentença pra minha vida”, disse.
Tom destaca que a grande mudança em sua jornada foi a “educação em diabetes”. Foi ela que permitiu a aceitação e o autocuidado. A evolução do tratamento do diabetes não foi apenas tecnológica; foi, acima de tudo, informacional.
A Dra. Denise Franco, endocrinologista presente na conversa, contextualizou essa mudança. Hoje, a tecnologia, como os sensores de glicose, mudou o jogo. “Mudou o controle completamente”, afirmou Dona Carmen sobre o uso do sensor, que permite que sua filha a monitore da Alemanha.
O diálogo no DiabetesCast ilustra perfeitamente como a evolução do tratamento do diabetes transformou uma condição de sobrevivência incerta em um desafio gerenciável.
