“É porque você comeu muito doce que você ficou com diabetes?”. Essa é uma das perguntas que Clarice, a filha da psicóloga Débora Gomes, ouve com frequência. O grande desconhecimento sobre o diabetes tipo 1 (T1D) ainda é uma das maiores barreiras enfrentadas por quem convive com a condição.
O assunto foi debatido no DiabetesCast. O jornalista Tom Bueno, com a participação de Débora Gomes e da advogada Eloisa Malieri, que tem T1D há quase 40 anos, repercutiu o tema e como a falta de conhecimento sobre a condição afeta a saúde mental de quem convive com o diabetes.
T1D não é T2D
Uma das coisas que mais impressionou Débora no diagnóstico da filha foi a confusão que as pessoas fazem. “Muitas pessoas não sabem que é uma [condição] autoimune, confundem diabetes tipo 1 com diabetes tipo 2”, disse.
Esse desconhecimento leva a julgamentos inadequados. Ela relata que as pessoas “torcem o nariz” se veem sua filha comendo um doce, sem saber que aquilo pode ser para corrigir uma hipoglicemia ou simplesmente parte do manejo planejado. “Com o manejo da insulina […], ela pode comer de tudo”, explicou Débora, algo que ela mesma não sabia no início.
Lidando com a ignorância alheia
O desconhecimento sobre o diabetes tipo 1 pode levar a situações constrangedoras. Eloisa Malieri compartilhou uma história marcante. Certa vez, ao aplicar insulina em um restaurante, uma senhora ao lado se assustou: “Pelo amor de Deus, você vai se drogar aqui mesmo?”.
Naquele dia, Eloisa estava “plena” e explicou pacientemente o que era o diabetes para a senhora, que acabou se tornando sua amiga. No entanto, ela admite: “Em outras ocasiões, eu não tive dúvida. Você dá uma resposta atravessada e tá tudo bem também, porque eu não sou plena todos os dias”.
‘Controle’ versus ‘manejo’
Até mesmo a linguagem que usamos pode gerar frustração. Tom Bueno destacou como a palavra “controle” é problemática. “Mas eu vi o sentido do manejo, do cuidado, ao invés do controle. Porque o controle frustra muita gente o tempo todo. Porque ele não vai existir, né? 100% perfeito não vai existir”, afirmou.
A conversa destacou que a informação é libertadora. Embora não seja obrigação de quem tem diabetes educar a todos o tempo todo, quanto mais a sociedade entender o que é a condição, menor será o estigma. Como disse Tom Bueno, “a escola tem que estar preparada pra isso, o ambiente de trabalho tem que estar preparado pra isso”.
