Hoje, 14 de novembro, o mundo volta suas atenções para o Dia Mundial do Diabetes. A data serve como um poderoso lembrete de que esta condição de saúde cresce em ritmo acelerado. Segundo a Federação Internacional de Diabetes (IDF), milhões de pessoas vivem com a condição sem sequer saber. Este desconhecimento é perigoso, pois impede o manejo adequado e abre um caminho livre para complicações severas. Por isso, reconhecer os primeiros sintomas do diabetes é uma ferramenta vital de saúde pública. Muitas vezes, o corpo envia alertas claros de que a glicose está alta, mas, infelizmente, esses sinais são frequentemente ignorados ou confundidos com o cansaço do dia a dia.
O relato de quem demorou a perceber
O jornalista Tom Bueno, que hoje convive há cerca de 20 anos com o diabetes tipo 1, destaca exatamente esse ponto em um vídeo em nosso canal “Um Diabético” no Youtube. Ele compartilha sua própria jornada, revelando que seu corpo deu sinais por quase três meses antes do diagnóstico. “Aliás, nem passava na minha cabeça que eu pudesse ter uma doença crônica como diabetes”, conta ele. Na época, Tom Bueno, assim como muitos, associava a condição apenas a pessoas mais velhas ou com sobrepeso, características que não se encaixavam em seu perfil.
A experiência dele ilustra perfeitamente os sinais clássicos de alerta. “Tudo começou com uma sede desesperada. Eu tomava, sem dúvida nenhuma, uns 5 litros de água por dia e ia ao banheiro a cada 20 minutos”, relata o jornalista. Além disso, ele passou a acordar durante a madrugada para urinar, sentia uma fome que não passava, mas, paradoxalmente, estava perdendo peso rapidamente. “Ou seja, a conta não batia”, completa.
A visão turva e o diagnóstico errado
O cansaço constante também se instalou, mas o sintoma que o fez procurar ajuda médica foi a alteração visual. “Minha visão começou a ficar turva, comecei a enxergar embaçado”, lembra Tom Bueno. A dificuldade era tanta que ele, já trabalhando em televisão, não conseguia ler o que estava escrito à sua frente. Ele procurou um oftalmologista, que o diagnosticou erroneamente com miopia. “Não era miopia, gente. […] Na verdade, tudo isso era consequência de uma glicose alta que já estava acontecendo há mais de 3 meses”. O diagnóstico correto do diabetes só veio quando ele passou muito mal e precisou ser levado a uma clínica.
O perigo silencioso do tipo 2
É fundamental destacar que a experiência de Tom Bueno é característica do diabetes tipo 1, uma condição autoimune onde o pâncreas para abruptamente de produzir insulina. Nesses casos, os sintomas são agudos e impossíveis de ignorar por muito tempo. Contudo, no diabetes tipo 2, a forma mais prevalente e diretamente ligada a fatores como obesidade e sedentarismo, o cenário é outro. O corpo desenvolve resistência à insulina ou não a produz em quantidade suficiente, mas o processo é lento e gradual. Nesses casos, os sintomas do diabetes podem ser extremamente sutis ou simplesmente inexistentes por anos.
Este é o grande alerta deste Dia Mundial do Diabetes. Tom Bueno reforça um dado alarmante: “quase metade da população com diabetes tipo 2 nem sabe que tem a doença”. Essas pessoas, por não sentirem nada, convivem com a glicose elevada no sangue, o que silenciosamente danifica órgãos vitais. Frequentemente, elas só descobrem a condição quando uma complicação grave, como um infarto, um problema renal ou uma dificuldade visual séria, já se instalou.
Prevenção: quando procurar ajuda?
A recomendação das autoridades de saúde é clara: não espere pelos sintomas do diabetes para fazer exames, especialmente se você pertence aos grupos de risco. “Se você tiver alguém aí na sua família que tem diabetes. Se você está acima do peso, tem problema de hipertensão, faça exames preventivos porque você pode ter diabetes e nem sabe”, aconselha Tom Bueno no vídeo. Adiar o diagnóstico por medo de “procurar doença” é um erro grave. “Isso não passa de um boicote contra a sua própria vida”, afirma.
O jornalista finaliza com uma mensagem crucial. O problema não é ter o diagnóstico de diabetes, mas sim a falta de tratamento adequado. “O diabetes descontrolado, sem tratamento, causa tudo isso [cegueira, infarto, amputação]”. Com o diagnóstico precoce, mudanças no estilo de vida e o acompanhamento correto, é perfeitamente possível controlar a condição, viver bem e, acima de tudo, prevenir as complicações.
