Receber o diagnóstico de diabetes pode parecer um limite, mas para muitas pessoas, torna-se um ponto de virada para ressignificar a vida. Neste Dia Mundial do Diabetes, em vez de estatísticas, trazemos exemplos de vida. São pessoas que encaram a condição não como um limite, mas, pelo contrário, como parte de suas jornadas. Suas histórias de superação do diabetes servem para elevar o ânimo de quem descobriu a condição recentemente ou de quem já convive com ela há tempos.
O diabetes pode, sim, ser um desafio, mas as trajetórias de Alexandre Paiva, Carmen H. Wills e do Sr. Geraldo mostram que a adaptação e a determinação abrem caminhos incríveis. Eles ressignificaram o diagnóstico e, hoje, são exemplos de como é possível viver plenamente. Vamos conhecer essas jornadas.
De um diagnóstico ao ironman: a jornada de Alexandre
A vida de Alexandre Paiva mudou inesperadamente em 2009. O jovem, que acabara de ingressar na faculdade de Engenharia de Produção em Santos (SP), recebeu o diagnóstico de diabetes tipo 1. Antes disso, sua vida era comum, sem grandes desafios físicos. No entanto, a notícia e, principalmente, a reação de seus pais, transformaram sua perspectiva.

Alexandre se lembra com emoção de ver seus pais chorando, sentindo-se culpados, como se tivessem falhado. Esse sentimento de impotência tornou-se uma força motriz. “Um sonho de vida era recuperar essa imagem dos meus pais, dizendo para eles que poderiam ficar tranquilos, que eu estaria bem”, conta Alexandre. Seu objetivo passou a ser provar que ele poderia não apenas viver bem, mas prosperar.
O despertar para o triatlo

Foi então que, em 2016, relembrando os tempos em que sua mãe o levava para a natação, ele decidiu se preparar para o seu primeiro Ironman. A preparação foi intensa, exigindo uma adaptação rigorosa da rotina de treinos ao controle do diabetes. Alexandre enfrentou episódios de hiperglicemia e hipoglicemia no começo.
“Antes, eu saía de casa sem nada e, quando tinha uma hipoglicemia, parava o treino. Depois, criei uma rotina de sair para correr ou pedalar sempre acompanhado de um carboidrato… Assim, não precisava parar o treino por completo”, explica o atleta. A superação se tornou uma paixão.
Em 2021, ele completou a prova de Ultraman, um desafio ainda mais duro, e descobriu ser a segunda pessoa do mundo com diabetes a realizar o feito. Desde então, já completou cinco Ironmans e até se candidatou ao Guinness Book. “O diabetes só me fez mais forte”, diz ele, que agora busca o recorde na Maratona de Chicago.

(Foto: Instagram pessoal)
Mais de 75 anos com diabetes tipo 1: Carmen e seu legado de fé
A trajetória de Carmen H. Wills, de 94 anos, é um verdadeiro marco de esperança. Nascida em Santa Catarina e formada professora, ela é a primeira brasileira reconhecida pela Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) por completar 75 anos de convivência com o diabetes tipo 1. Diagnosticada em 1950, Carmen atravessou as maiores revoluções no tratamento da condição, desde as antigas seringas de vidro até os modernos sensores de glicose.

Além disso, ela venceu um câncer de mama, criou duas filhas e viu netos e bisnetos crescerem. Sua jornada de fé, disciplina e superação está agora eternizada na biografia “Carmen H. Wills — 75 anos superando o diabetes tipo 1”.
A história que virou livro
A vida de Carmen mereceu um livro. A autora, a jornalista Letícia Martins, conheceu Carmen em 2016 e sentiu que sua história representava esperança. “Quando percebi que ela estava prestes a completar 75 anos de diagnóstico, perguntei se aceitaria ser biografada. E ela… respondeu: ‘Se você acha que minha história pode ajudar outras pessoas, eu aceito’”, contou Letícia.
Durante quase um ano, a autora mergulhou em memórias familiares. Carmen revisitava sua história com leveza e humor, chegando a brincar com um exame antigo de 338 mg/dL: “Nossa, não sei como não morri!”. Para quem acaba de receber o diagnóstico, Dona Carmen deixa um conselho sereno: “Não se assuste. Busque boa orientação médica, eduque-se e escolha viver com alegria”.
Tecnologia e tênis: aos 82 anos, Geraldo redefine o diabetes tipo 2
Enquanto Carmen e Alexandre convivem com o tipo 1, Geraldo, de 82 anos, compartilha sua experiência com o diabetes tipo 2. Ele foi diagnosticado aos 55 anos, após sentir uma sede intensa e constante. Embora não tivesse histórico familiar, ele sabia que precisaria se adaptar. Naquela época, há 27 anos, o monitoramento era desafiador. “Eu comecei picando o dedo… cheguei a ter três aparelhos diferentes nos quais eu picava o dedo”, recorda.

A grande mudança para Geraldo veio com a tecnologia. A adoção de um sensor de monitoramento contínuo de glicose transformou sua rotina. “Deixei de picar o dedo”, celebra. Mais do que a conveniência, o sensor trouxe autoconhecimento. “Eu sei exatamente as comidas que eu como que alteram mais a glicose… o sensor, ele te dá a curva glicêmica”. Antes, ele só media em jejum; agora, ele vê o “filme completo”.
Rotina ativa e sem ociosidade
Aposentado desde os 68 anos, a grande preocupação de Geraldo era não ficar ocioso. Ele encontrou sua paixão no tênis. “Eu sou um tenista fanático”, afirma. Ele, que jogava cinco vezes por semana, hoje mantém um ritmo de três partidas semanais. O sensor o ajuda a manejar a glicemia durante o esporte.
A tecnologia também melhorou a segurança, com alarmes de hipoglicemia e hiperglicemia definidos por sua médica. Isso dá a ele vigilância constante, mas sem tirar sua independência. “Eu acredito que a vida é um privilégio. E a gente tem que aproveitar”, conclui Geraldo.
O diabetes como força motriz
As jornadas de Alexandre, Carmen e Geraldo são diferentes, mas unidas por um tema central: a resiliência. Eles não permitiram que a condição ditasse seus limites. Pelo contrário, usaram o diagnóstico como motivação para cuidar da saúde, adaptar-se e buscar sonhos. Alexandre busca recordes em maratonas, Carmen se tornou um legado vivo de esperança e Geraldo aproveita a vida ativamente aos 82 anos.
Estas histórias de superação do diabetes mostram que, com o tratamento adequado, educação, apoio e disciplina, é possível viver plenamente. Neste Dia Mundial do Diabetes, que estas trajetórias sirvam de inspiração para todos.
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