Receber a notícia de uma condição crônica como o diabetes tipo 1 gera, sem dúvida, um abalo imediato. O impacto do diagnóstico de diabetes não é apenas físico ou logístico. Pelo contrário, ele mexe profundamente com a saúde emocional da pessoa e, consequentemente, de toda a sua família.
Para debater o tema, o jornalista Tom Bueno conversou no DiabetesCast com duas convidadas. A primeira foi a psicóloga Débora Gomes, que é mãe de uma criança com a condição. Além dela, participou a advogada Eloisa Malieri, que convive com o diabetes tipo 1 há quase 40 anos. Juntas, elas debateram como navegar esse momento.
O diagnóstico que ‘não é uma alta’
Débora Gomes relembrou o momento em que sua filha, Clarice, saiu do hospital. “É uma alta que não é uma alta, né, gente? É uma alta que ali tudo está começando”, descreveu.
Logo de início, sua preocupação foi a saúde emocional da filha e como ela encararia a nova rotina. Por isso, o maior desejo de Débora como mãe foi definido imediatamente: “Uma coisa que eu queria muito é que a condição crônica que ela tem não tomasse a frente de quem ela é”.
‘Ser quem você é’
Para Débora, a estratégia foi encarar as mudanças com o máximo de leveza possível e, ao mesmo tempo, reforçar a identidade da filha. “Eu falo pra ela assim, Clarice, você não precisa gostar de ter diabetes, mas eu quero que você tenha orgulho de ser quem você é”, contou.
Ela utiliza, por exemplo, um lema em casa, que é um poema de Leminski, para reforçar a mensagem: “Isso de querer ser exatamente aquilo que a gente é, ainda vai nos levar além”. A psicóloga explica que ser quem Clarice é, hoje, inclui o diabetes tipo 1. Portanto, isso deve ser motivo de orgulho pela história que estão construindo.
A leveza dos pais e a absorção da criança
Eloisa Malieri, que foi diagnosticada aos 11 anos, trouxe a perspectiva de quem foi a criança com diabetes. Ela credita a forma como lidou com a condição à “leveza dos meus pais”.
No entanto, ela faz uma ressalva importante sobre o impacto do diagnóstico de diabetes na percepção infantil. “É lógico que hoje, mais madura, […] a gente sabe que não existia leveza”, reflete. Além disso, Eloisa conta que, na infância, absorveu uma responsabilidade. Ela fez isso para tentar poupar os pais do sofrimento que ela percebia estar “contido no sorriso amarelo”.
Similarmente, Débora relatou perceber o mesmo movimento na filha Clarice, que às vezes tenta acalmar a mãe durante uma hipoglicemia. Desse modo, a conclusão dos especialistas é que é preciso dar espaço para a criança nomear seus sentimentos. Isso inclui validar que “às vezes é um saco mesmo”, mas, acima de tudo, reforçar o orgulho de sua trajetória.
