Um dos maiores desafios para os pais de crianças com diabetes tipo 1 é encontrar o equilíbrio entre o cuidado necessário e o incentivo à independência. Fomentar a autonomia no diabetes tipo 1 é um processo delicado, mas essencial para preparar a criança para a vida adulta.
Esse foi um dos temas da conversa entre o jornalista Tom Bueno, a psicóloga Débora Gomes (mãe de uma criança com T1D) e a advogada Eloisa Malieri (que tem T1D) no DiabetesCast.
O risco da identidade ‘mãe pâncreas’
O termo “mãe pâncreas” é usado para descrever a mãe (ou cuidador) que assume as funções do órgão que deixou de funcionar na criança. Débora Gomes, que também é psicóloga, reconhece a beleza do termo, mas alerta para um cuidado.
“É preciso tomar só um cuidado quando isso vira uma identidade”, ponderou. Ela mencionou perfis de Instagram com nomes como “mãe pâncreas” ou “mãe de uma DM1”, e questionou o impacto disso. “Essa criança vai crescer e esse pâncreas que é a mãe não vai junto com ela, né? Essa criança precisa ter essa autonomia”.
O conflito da adolescência
O risco de sufocar a criança com o cuidado excessivo se torna ainda mais evidente na adolescência. Tom Bueno, que também convive com o diabetes, alertou para o que acontece quando a autonomia no diabetes tipo 1 não é concedida.
“Se não passar [a autonomia], ela vai pegar à força”, disse Tom. Ele mencionou que recebe muitas mensagens de adolescentes que “cortam a relação com os pais porque não aguentam mais” e começam a fazer coisas escondidas, o que é um risco enorme no manejo da condição.
Educação em diabetes é libertação
Para Débora Gomes, o caminho para a autonomia saudável passa pela educação. Ela conta que buscou ensinar a filha, Clarice, a se autoaplicar a insulina assim que possível.
“Eu queria muito que a Clarice aprendesse a se aplicar logo que ela saiu do hospital”, relatou. Embora tenha levado um tempo, hoje Clarice já tem noções das doses e se aplica sozinha. Para Débora, saber o que é a condição “é libertador” e permite que a criança fortaleça seu psiquê.
Isso inclui também práticas de saúde mental, como meditação e respiração, para lidar com a irritabilidade da glicose alta. “Parar, respirar […] para ela estar preparada para enfrentar o mundo”, concluiu Débora.
