O diagnóstico de diabetes tipo 1 impacta toda a família, mas a carga de cuidar de quem cuida no diabetes frequentemente recai sobre uma única pessoa, geralmente a mãe. Essa sobrecarga e a necessidade de olhar para a saúde mental do cuidador foram temas centrais de um bate-papo no DiabetesCast, apresentado pelo jornalista Tom Bueno.
Para debater o assunto, Tom recebeu Débora Gomes, psicóloga, atriz e mãe de uma criança com diabetes tipo 1, e Eloisa Malieri, advogada que convive com a condição há quase 40 anos.
A sobrecarga da ‘mãe pâncreas’
Débora Gomes, que também é psicóloga, compartilhou sua experiência ao entrar em grupos de apoio após o diagnóstico da filha, Clarice. “Eu percebi muitos grupos de mães e muitas mulheres fazendo parte desses grupos”, observou.
Ela destacou que essas mulheres frequentemente relatam exaustão por assumirem a linha de frente do cuidado. “Isso gera uma exaustão, que gera uma fragilidade até no cuidado, às vezes gera uma irritabilidade ou uma relação ruim com a criança porque é uma pessoa que está sobrecarregada”, analisou Débora.
Ela enfatizou a necessidade de justiça de gênero no cuidado, pois a sociedade muitas vezes espera que a mulher assuma o papel de “gestora da saúde” da criança.
Pedir ajuda é um sinal de força
Tanto Débora quanto Eloisa concordaram que muitas cuidadoras relutam em pedir ajuda, vendo isso como um fracasso. “Elas equiparam o pedido de ajuda […] como um sinal de fracasso”, disse Eloisa.
No entanto, Débora foi enfática: “Pedir ajuda não é sinal de fraqueza, pelo contrário, é força”. Compartilhar a responsabilidade é essencial para a saúde de todo o núcleo familiar. Eloisa complementou, afirmando que não pedir ajuda não é “menos amor”, mas sim um sinal de que a cuidadora não está conseguindo se amar.
A metáfora da máscara de oxigênio
Para cuidar de quem cuida no diabetes, é preciso que o cuidador se olhe. Tom Bueno relembrou a famosa metáfora da máscara de oxigênio do avião: coloque primeiro em você para depois ajudar o outro.
“Você só cuida do outro se você se cuidar”, disse Tom. Eloisa Malieri, que buscou terapia, compartilhou o conselho que recebeu: “Você precisa de um espaço para ser a Elô”. Um espaço para ser a pessoa, antes do papel de mãe, esposa ou profissional.
A conclusão é que o cuidador precisa de pausas, de redes de apoio e de espaços seguros para falar. Afinal, para que a criança com diabetes esteja bem, quem cuida dela também precisa estar.
