A poucos dias do primeiro domingo de provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2025, que ocorre em 9 e 16 de novembro, a tensão certamente aumenta para milhões de estudantes. No entanto, para quem tem diabetes, essa ansiedade ganha camadas adicionais. O histórico recente do exame inclui, por exemplo, desde a exclusão de candidatos por alarmes de sensores até a negativa de atendimento especializado, mesmo após mudanças nas regras. Por isso, é fundamental ter clareza sobre o que fazer e quais são, de fato, os seus direitos na hora da prova. Assim, esta matéria reúne as principais orientações do Enem para quem tem diabetes.
O histórico conturbado do diabetes no Enem
A comunidade de pessoas que convivem com o diabetes acompanha o Enem com apreensão desde 2024. Naquela edição, infelizmente, fiscais retiraram um jovem com diabetes tipo 1 da sala em Sobradinho (RS) após o alarme do seu sensor de glicose disparar. Embora o aparelho estivesse guardado conforme a regra, os fiscais consideraram o som uma “perturbação”.
Diante disso, o Inep, responsável pela prova, negou o pedido de reaplicação, alegando que o estudante descumpriu o edital. O caso, portanto, gerou indignação e oficializou uma exclusão.
Posteriormente, diante da repercussão negativa e da pressão da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), o Inep e o Ministério da Educação (MEC) alteraram o edital para 2025. A nova regra incluiu explicitamente o diabetes como condição que justifica o pedido de atendimento especializado, o que poderia garantir até uma hora adicional de prova. Contudo, a implementação dessa mudança se mostrou falha.
Prova disso é que, em julho deste ano, a estudante Luciana Couto, de 22 anos, denunciou que o Inep negou seu pedido de atendimento especializado duas vezes, mesmo ela apresentando laudos médicos completos. Na época, ela desabafou: “Mais uma vez o diabetes foi silenciado.“
Atendimento negado vs. uso de dispositivos
O caso de Luciana expôs uma confusão crucial: a diferença entre o “atendimento especializado” (que inclui tempo adicional) e o direito de usar dispositivos médicos. De fato, após questionamentos sobre as negativas, o Inep esclareceu, citando o edital, que mesmo sem a aprovação do atendimento especializado, os participantes podem levar materiais essenciais.
Isto significa que, mesmo que o Inep tenha negado seu pedido de tempo extra ou você não o tenha solicitado, você ainda tem o direito de entrar e usar seus dispositivos de monitoramento e tratamento. O edital é claro ao permitir o uso de medidores de glicose, bombas de insulina e sensores. No entanto, o fiscal de sala irá vistoriar todos os aparelhos.
Guia prático: o que levar e fazer no dia do Enem
Com a prova neste domingo, o foco deve ser a organização. Primeiramente, separe todos os seus suprimentos médicos em uma bolsa transparente, se possível. Isso inclui seu medidor de glicose (ou sensor e celular/leitor), tiras de teste, lancetador, bomba de insulina, canetas de insulina e agulhas.
Além disso, é fundamental levar carboidratos de ação rápida para corrigir eventuais episódios de hipoglicemia, como sachês de mel, balas de goma ou suco. Leve também um lanche para se manter durante a longa duração da prova. Por fim, leve uma cópia do seu laudo médico, mesmo que o Inep tenha negado seu recurso, pois ele serve como comprovante imediato da sua condição.
Dicas da SBD: evite o celular e prefira o glicosímetro
Com a proximidade da prova, a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) também emitiu novas recomendações importantes. A entidade reforçou que, após o incidente de 2024, reuniu-se com o Inep para garantir que os candidatos pudessem usar seus medidores, sensores e bombas de insulina, desde que informassem a condição na inscrição.
No entanto, a SBD faz um alerta prático crucial sobre o uso de celulares como leitores de sensor. De acordo com a dra. Solange Travassos, vice-presidente da SBD, o candidato deverá deixar seu celular no modo avião dentro do envelope porta-objetos lacrado. O problema é que, caso o sensor apite, “o candidato será levado à Coordenação para confirmação da necessidade de aferição da glicemia.”
Para evitar essa interrupção estressante, a SBD tem uma recomendação clara. “Por isso, a minha recomendação é que as pessoas com DM1 usem o glicosímetro para fazer teste na ponta do dedo ou usar o leitor do sensor”, afirma a médica, referindo-se ao aparelho leitor dedicado (que não é um celular).
O que fazer se o fiscal barrar seus equipamentos
Este é, sem dúvida, o maior receio dos candidatos. Se, ao chegar ao local de prova, o fiscal ou coordenador tentar impedir sua entrada com os dispositivos ou alimentos, siga estes passos. Antes de tudo, mantenha a calma e explique que você tem diabetes tipo 1 (ou tipo 2, se for o caso) e que aqueles itens são vitais para sua saúde.
Apresente seu laudo médico. Em seguida, informe que o próprio edital do Inep prevê a permissão desses itens, embora eles estejam sujeitos à vistoria. Chegar cedo é um diferencial importante, já que permite resolver essa burocracia antes do fechamento dos portões. Portanto, comunicar proativamente o fiscal sobre seus dispositivos e a possibilidade de alarmes de hipo ou hiperglicemia é a melhor estratégia. Seguir estas orientações do Enem para quem tem diabetes pode reduzir o estresse no dia.
O caminho até o Enem já é árduo e, para quem tem diabetes, ele infelizmente apresenta obstáculos burocráticos que testam a resiliência. Ainda assim, a luta da comunidade por acessibilidade plena continua. No domingo, lembre-se destas orientações do Enem para quem tem diabetes: sua saúde é a prioridade. Tenha seus direitos claros, seus suprimentos prontos e foque em fazer uma excelente prova.