Muitas pessoas que convivem com o diabetes relatam sentir coceira na pele. Mas, qual é a verdadeira relação entre o desconforto e a condição? A pele seca em quem tem diabetes é um sintoma comum e que exige atenção. Para esclarecer essa questão, o jornalista Tom Bueno, do nosso canal “Um Diabético” no Youtube, conversou com o médico dermatologista Dr. Felipe Ribeiro. O especialista explicou por que a pele resseca e quais os riscos de não tratar o problema.
Por que a pele de quem tem diabetes coça?
O principal motivo para a coceira é o ressecamento. Segundo o Dr. Felipe Ribeiro, a pele da pessoa com o diabetes enfrenta um desafio duplo. “Naturalmente, a pele, ela tende a sempre se desidratar, perder água”, explicou o dermatologista na entrevista. No entanto, em quem tem a condição, o problema é intensificado. “O primeiro [problema] é que ela perde muita água e o segundo é que pouca água chega na pele, por isso a pele seca, coça”, completou.
Esse desequilíbrio hídrico torna a pele vulnerável e propensa à coceira. Portanto, o controle glicêmico é um aliado, mas a hidratação tópica se torna uma necessidade diária para manter a barreira cutânea saudável e funcional.
O risco de infecções ao coçar a pele
O ato de coçar a pele seca pode parecer inofensivo, mas o Dr. Felipe alerta para os perigos. A pele seca em quem tem diabetes é mais frágil. Quando uma pessoa coça a pele, ela cria pequenas fissuras ou feridas. “Você abre um caminho, um trajeto de comunicação entre o seu corpo e o ambiente”, destacou o médico.
Esse rompimento da barreira cutânea é uma porta aberta para bactérias. O problema se agrava porque, como explica o especialista, quem tem diabetes pode ter uma resposta imunológica comprometida. “Se existe uma bactéria no local, a bactéria pode penetrar e [quem tem diabetes] tem uma imunidade baixa”, disse.
O Dr. Ribeiro adverte que o que seria uma infecção simples para outra pessoa pode evoluir. “Aquela bactéria que uma pessoa que não tem diabetes seria eliminada facilmente pelo próprio organismo, quem tem diabetes não consegue. E ela, em alguns casos, viram infecções graves, que a gente precisa inclusive internar a pessoa”, afirmou.
Hidratação como pilar do tratamento
Diante dos riscos, a solução é clara: hidratação. Manter a pele hidratada não é apenas uma questão de conforto, mas de prevenção. “A pele hidratada não coça”, resumiu o dermatologista. Consequentemente, a hidratação é a ferramenta fundamental para evitar os danos futuros mencionados.
Mas, não é qualquer hidratante que oferece o melhor resultado. O Dr. Felipe Ribeiro recomenda optar por produtos que contenham ingredientes específicos. “A gente tem que optar por hidratantes que tenham ureia, ceramidas, ácido hialurônico, que são substâncias que vão reter a água na pele”, indicou.
O médico deu destaque especial para a ureia, mencionando que é “um dos hidratantes mais potentes que a gente tem porque ela atrai água pra ela […] ela deixa a água na área que a gente mais precisa, que é a camada mais externa da pele”. A hidratação constante restaura a barreira de proteção, evitando assim a coceira e as infecções.
Cuidar da pele é parte do cuidado com o diabetes
A conversa com o Dr. Felipe Ribeiro reforça que o cuidado com o diabetes vai além do controle glicêmico. A pele seca em quem tem diabetes é uma realidade, mas que pode ser gerenciada. Como destacou Tom Bueno no vídeo, é essencial manter os cuidados com a pele. A hidratação diária, especialmente com produtos pensados para as necessidades dessa pele, é um passo fundamental para uma vida mais tranquila e saudável, livre de coceiras e complicações.
