A rotina de Carolina Gomes da Silva, de 17 anos, moradora do centro do Rio de Janeiro, é dividida entre pliés, ensaios e o controle da glicose. Diagnosticada com diabetes tipo 1 em fevereiro de 2024, a jovem bailarina precisou aprender, em pouco tempo, a conciliar o sonho de seguir carreira na dança com uma condição que exige atenção constante.
O diagnóstico veio de forma inesperada, durante um exame de rotina.
“Foi um choque. Eu não conhecia nada sobre a doença e achei que meu mundo tinha desabado”, lembra Carolina.
Rotina de balé convivendo com diabetes tipo 1
Ela passou a entender sobre alimentação, contagem de carboidratos e ajustes de insulina — passos essenciais para manter a glicemia sob controle e continuar dançando.
Com o tempo, a jovem descobriu que o diabetes não era um impedimento, mas um desafio a ser administrado.
“No ballet, minha rotina mudou. Preciso acompanhar de perto minha glicemia antes e depois das aulas, e aprendi a reconhecer os sinais do meu corpo”, conta.
Entre uma coreografia e outra, o sensor de glicose se tornou seu grande aliado.
“Não consigo imaginar minha vida sem ele. O sensor me dá segurança para continuar dançando sem precisar parar toda hora para medir a glicose.”
As horas de treino intenso trazem riscos de hipoglicemia, e Carolina aprendeu a se preparar. Carrega sempre fontes rápidas de carboidrato e verifica os níveis de glicose antes de subir ao palco. Além disso, mantém acompanhamento com profissionais de saúde e conta com o apoio da família.
“O diabetes é cheio de altos e baixos, então aprendi a levar um dia de cada vez. Nem todos os dias serão perfeitos, e está tudo bem”, afirma.
O apoio incondicional da família
A mãe, Patrícia Gomes, que é técnica em enfermagem e fisioterapeuta, lembra com clareza do momento do diagnóstico.
“Foi difícil e doloroso. Mas por ser da área da saúde, eu sabia que ela não precisaria deixar de fazer nada. Procuramos ajuda profissional, estudamos sobre o tema e nos organizamos para que a vida dela continuasse sem limitações.”
Em casa, a rotina também mudou. A família passou a dar mais atenção à alimentação e a manter por perto alimentos indispensáveis em casos de hipoglicemia. Patrícia diz que o principal foco foi fortalecer a confiança da filha.
“Aqui nunca deixamos ela se colocar no lugar de vítima. Claro que há momentos de tristeza e frustração, mas o enfrentamento dessa condição sem vitimismo é uma regra sem barganha”, afirma.
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Em 2024, Carolina participou de uma competição na Argentina, onde recebeu menção honrosa na sua categoria. Mesmo com a mudança de rotina e alimentação fora do país, ela conseguiu manter o controle da glicose e dançar com segurança.
“Ser bailarina com diabetes me mostra todos os dias que vale a pena continuar. A dança é o que eu amo e me motiva a seguir”, diz a jovem, que pratica ballet desde a infância e já pensa em seguir carreira profissional.
Ela acredita que sua história pode inspirar outras pessoas com diabetes tipo 1 a não desistirem do que amam.
“Por mais difícil que seja, é possível viver bem com a condição. O importante é não se deixar abater pelos erros e continuar tentando.”
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Para Carolina, o ballet é mais do que uma paixão. É também um espaço de superação e aprendizado sobre o próprio corpo.
“A dança me desafia, me ensina disciplina e ainda me ajuda a controlar a glicemia. Hoje entendo que não há limite quando se tem cuidado, apoio e vontade de seguir.”
Nos bastidores, a mãe observa com orgulho.
“Ver a Carolina no palco, equilibrando o sonho com o cuidado diário, me dá a certeza de que estamos no caminho certo”, diz Patrícia. “Ela me mostra todos os dias que força e maturidade não têm idade.”