Viajar é excelente, mas para quem tem diabetes, um voo de longa duração exige atenção redobrada. O gerenciamento do diabetes em viagens longas pode ser complexo, envolvendo mudanças na rotina, alimentação diferente e longos períodos de inatividade. O jornalista Tom Bueno, em nosso canal “Um Diabético”, compartilhou em vídeo sua experiência detalhada em um voo de quase 10 horas do Brasil para Lisboa, Portugal. Mesmo com planejamento, ele enfrentou desafios que ilustram bem a realidade dessa condição.
O planejamento antes de embarcar
O controle começa ainda no aeroporto. Antes de embarcar, Tom Bueno mostrou a necessidade de aplicar a insulina para a refeição (no caso, o jantar). Ele realizou a correção e aplicação da insulina de ação rápida, aguardando o tempo necessário antes de comer. Além disso, ele passou pelo raio-x com seus insumos, um procedimento padrão para quem utiliza insulina, e felizmente não teve contratempos. Ter um kit de diabetes acessível, com medidores, insulinas e carboidratos de rápida ação (como pastilhas), é fundamental. No entanto, mesmo com essa preparação, o ambiente do avião apresenta variáveis únicas.
A hipoglicemia inesperada durante o voo
Um dos maiores receios de Tom era a hiperglicemia, causada pela inatividade prolongada. Contudo, o que ocorreu foi o oposto: hipoglicemia. Durante o voo, seu sensor indicou 55 mg/dL. Ele precisou agir rapidamente, solicitando uma bebida açucarada à equipe de comissários. A recuperação, entretanto, não foi imediata; levou quase uma hora e meia para a glicemia estabilizar. Analisando o ocorrido, Tom avaliou no vídeo: “Com certeza apliquei insulina a mais. Errei na contagem de carboidrato no aeroporto.”
Este é um ponto crucial: a contagem de carboidratos em alimentos de aeroportos ou servidos em aeronaves é, muitas vezes, uma estimativa difícil. A composição dos alimentos pode ser diferente da habitual, levando a erros de dosagem da insulina.
O desafio da segunda refeição e novos imprevistos
Logo após a estabilização, a segunda refeição do voo chegou. Naturalmente, surgiu o receio de aplicar insulina e enfrentar outra queda. Quando a glicemia atingiu 80 mg/dL, ele se preparou para comer, mas a instabilidade retornou. “Já tava preparada aqui pra dormir, mas tô com hipo ainda”, relatou. Ele precisou consumir mais carboidratos de ação rápida (outro refrigerante com açúcar). Esse episódio reforça como o diabetes em viagens longas é imprevisível. Fatores como a pressão da cabine, o estresse da viagem e o metabolismo alterado pela quebra de rotina podem influenciar diretamente a sensibilidade à insulina.
Felizmente, após a segunda correção, Tom conseguiu dormir. Ele acordou pela manhã, já próximo de Lisboa, com a glicemia em 114 mg/dL. Embora tenha confessado que adormeceu antes de re-verificar a glicemia após o segundo refrigerante, o resultado foi positivo. A gestão do diabetes em viagens longas é, portanto, um exercício constante de monitoramento e ajuste, onde nem sempre as regras habituais se aplicam da mesma forma.
A chegada e os próximos passos
Os desafios não terminaram com o pouso. Tom Bueno ainda enfrentou três horas na fila de imigração em Lisboa. Surpreendentemente, sua glicemia permaneceu dentro da meta durante esse longo período de espera. A experiência do voo serve como um lembrete importante: o planejamento é crucial, mas a capacidade de resposta a eventos inesperados, como hipoglicemias, é o que garante a segurança. Agora, o desafio muda para adaptar-se à culinária local e a um novo fuso horário, mas essa é outra etapa da jornada.