A história de Aubrie Lewis e seu filho Wells, de 5 anos, ilustra a incrível capacidade de um cão de serviço para diabetes. O cachorro, chamado Ducky, alertou Aubrie sobre uma queda na glicose do menino (hipoglicemia) de uma maneira que desafiou a lógica: Ducky estava no carro e Wells, dentro da escola. Este incidente, que viralizou nas redes sociais, destaca como esses animais são ferramentas vitais no manejo da condição.
O alerta inesperado
Aubrie Lewis tinha acabado de estacionar em frente à escola para buscar Wells. Ducky, um cocker spaniel inglês, estava com ela no carro. De repente, o comportamento do cão mudou. Ele começou a encará-la fixamente, um sinal de alerta que ela conhece bem.
Embora estivessem com as janelas fechadas, a insistência de Ducky fez Aubrie verificar o monitor contínuo de glicose (CGM) do filho pelo celular. A glicemia de Wells estava em 84 mg/dL, o limite mínimo para o qual Ducky foi treinado a alertar.
Pouco depois, o cão intensificou o aviso. Ele subiu no banco da frente e deu o sinal principal. “Ele foi treinado com amostras de saliva e me alerta com uma cutucada no focinho”, explicou Aubrie à revista People. O fato surpreendente é que o menino nem estava perto. Aubrie relatou a experiência surreal: “Enquanto acontecia, eu simplesmente não conseguia acreditar que estava acontecendo.”
Um faro que supera barreiras
Ducky, que tem apenas 2 anos, é treinado para identificar quando o açúcar no sangue de Wells está abaixo de 84 mg/dL ou acima de 175 mg/dL. A família já tinha presenciado sua habilidade antes, como quando Ducky alertou do primeiro andar enquanto Wells dormia no segundo, de porta fechada.
Contudo, este último evento foi diferente. O cão de serviço para diabetes superou barreiras físicas significativas. “Ele sentiu o cheiro através das janelas fechadas do carro, ao redor do prédio da escola, enquanto Wells estava lá dentro com provavelmente outras 75 crianças e professores”, disse a mãe. A teoria de Aubrie é que o vento carregou sutilmente o odor da hipoglicemia de Wells, e Ducky confiou em seu faro aguçado para avisar.
A jornada de Wells e Ducky
Wells recebeu o diagnóstico de diabetes tipo 1 em novembro de 2023, pouco depois de completar três anos. A família utiliza um monitor contínuo de glicose (CGM), que envia dados a cada cinco minutos para os celulares da mãe e da professora.
No entanto, Aubrie percebeu limitações na tecnologia. “Logo após o diagnóstico de Wells, ficou muito claro que ele não tinha consciência física dos seus níveis de açúcar no sangue, sejam eles altos ou baixos”, explicou. Além disso, ela notou que o CGM apresentava um atraso de cerca de 15 minutos na leitura.
Por causa dessa imprecisão e da falta de percepção de Wells, a família buscou o apoio de um cão de serviço para diabetes. Eles arrecadaram 22 mil dólares via redes sociais para adotar Ducky, que veio de uma organização sem fins lucrativos já totalmente treinado. Embora Ducky não possa acompanhar Wells na escola, ele está presente em quase todos os outros momentos.
Mais que um alerta, um apoio emocional
Aubrie reconhece que ter um animal de serviço exige responsabilidade financeira e cuidados constantes com treinamento, higiene e saúde. Contudo, ela garante que o investimento vale a pena.
“Poder contar com uma forma extremamente confiável de manter seu filho seguro é o maior alívio que qualquer família pode receber”, comentou. Ela também enfatiza que o benefício vai além do físico, alcançando o apoio emocional. “Wells nunca se sente sozinho em sua jornada com a diabetes tipo 1 porque sempre tem seu Ducky de pelúcia ao seu lado.”
O faro canino: uma ligação antiga com o diabetes
A façanha de Ducky pode parecer um milagre da ciência moderna, mas, na verdade, ela apenas refina uma conexão que os cães têm com o diabetes há séculos. Esta relação é muito anterior aos glicosímetros ou aos laboratórios de análises clínicas. Antes mesmo que a medicina tivesse um nome para a condição, os cães já eram capazes de “diagnosticar” o descontrole glicêmico.
Isso acontece porque o olfato canino é extraordinariamente poderoso. Historicamente, médicos antigos (como na Grécia Antiga) notaram que a urina de certas pessoas atraía formigas e insetos. O motivo, como sabemos hoje, era o excesso de glicose sendo expelido pelo corpo. Da mesma forma, os cães, com seu faro milhões de vezes mais apurado que o nosso, também eram instintivamente atraídos por esse odor adocicado.
Existem relatos históricos de cães que insistentemente lambiam a urina de seus tutores ou demonstravam um interesse incomum pelo hálito deles (que pode ter um cheiro frutado na cetose). Sem dúvida, era um sinal rudimentar, mas foi um dos primeiros “alertas” biológicos de que algo estava errado. Portanto, o que Ducky faz hoje, com treinamento específico para identificar os compostos químicos da hipoglicemia, é a evolução moderna de uma habilidade natural que sempre ligou os cães ao cuidado de quem tem o diabetes.