Para quem acompanha o universo do diabetes, sabe que a gestão da glicemia parece, muitas vezes, um jogo complexo. Agora, imagine isso durante uma partida de futebol de uma criança cheia de energia. Foi exatamente essa montanha-russa de emoções e cuidados que a mãe Dhayanna Solá compartilhou em um vídeo emocionante, destacado no Instagram do “Um Diabético”. Ela mostrou, com uma calma admirável, os bastidores de uma manhã de sábado com seu filho Thiago, que tem diabetes tipo 1. O relato é uma aula de amor e mostra como o diabetes e atividade física infantil exige um olhar atento, transformando o controle em um verdadeiro trabalho de equipe.
O pontapé inicial (com muito controle)
O dia do pequeno craque Thiago começou cedo. Dhayanna conta que a primeira glicemia do dia marcou 134 mg/dL. Logo, ele recebeu sua insulina de ação lenta, como de costume. Além disso, para o café da manhã (um sanduíche integral com queijo e presunto), veio a insulina de ação rápida. Com tudo pronto, às 9h38, ele estava pronto para o futebol, marcando 150 mg/dL e, segundo a mãe, “mais ativo do que nunca”. O jogo ia começar, e o time “mãe e filho” já estava em campo.
No meio do jogo, o placar da glicose muda
O primeiro tempo foi tranquilo. Às 10h14, a glicemia estava em 137 mg/dL, um placar “perfeito”, comemorou Dhayanna. Contudo, o jogo do diabetes é cheio de surpresas. Menos de 40 minutos depois, às 10h53, mesmo sem Thiago ter comido nada, o sensor disparou para 242 mg/dL. Quem entrou em campo? Provavelmente o cortisol, o hormônio da adrenalina e excitação do jogo. Mas a técnica Dhayanna manteve a calma. “Seu cortisol assumiu o controle, mas mantivemos a calma”, ela relata no vídeo, focando em garantir a hidratação do filho enquanto ele continuava jogando.
O drible na hipoglicemia em campo
A partida continuou, e a glicemia voltou a se movimentar. Por volta das 14h10 [Nota: O vídeo indica 2:10, possivelmente 12:10], o sensor mostrava 135 mg/dL, mas com uma “tendência de cair rapidamente”. Sinal de alerta para a mãe-técnica! Para evitar que a glicose caísse demais e tirasse o craque do jogo (uma hipoglicemia), Thiago “pediu um biscoito”. Dhayanna, sempre atenta, sabia exatamente o que fazer, oferecendo um lanche com 19 gramas de carboidratos para segurar aquela queda. Foi um drible perfeito na hipo.
O efeito do segundo tempo em casa
Depois de tanta correria no sol e brincadeiras até com o cachorro Zoe, a família voltou para casa. Após um bom banho, a glicemia estava em 153 mg/dL (12h55). O almoço parecia tranquilo: macarrão com camarão e banana madura. Thiago começou a comer com 107 mg/dL. Aqui, porém, o exercício cobra seu efeito mais conhecido: a hipoglicemia tardia. Mesmo a mãe, experiente, calculando “menos insulina” para a refeição, a atividade física potencializou o efeito. Às 14h, a glicemia já estava em 74 mg/dL.
Dhayanna deu outro biscoito, mas a queda foi mais rápida. Em 15 minutos, 53 mg/dL. “Agimos rapidamente com um pouco de mel”, conta ela. A mãe coruja ainda fez questão de checar duas vezes: o sensor mostrava 63 mg/dL, e o teste de ponta de dedo (capilar) confirmou a hipo. “Adoro este sistema, a precisão é incrível”, disse ela sobre o sensor. Após o mel e mais um reforço, a glicose finalmente começou a subir, chegando a 123 mg/dL.
O apito final: um dia de aprendizado e amor
O dia terminou com 158 mg/dL (às 16h28), mas o placar mais importante foi outro: “o Thiago aproveitou ao máximo depois de dias sem futebol”. O relato dessa mãe é um retrato sensível do que é o diabetes e atividade física infantil. Como Dhayanna conclui lindamente: “Assim é a vida com diabetes tipo 1, um processo constante de tomada de decisões. Cada dia é um novo desafio, e cada momento é uma oportunidade de aprender e aproveitar”. Afinal, com amor e cuidado, todo desafio se torna apenas mais uma jogada.
